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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Balbúrdia na UFVJM: Bolsonaro nomeia como reitor o professor que ficou em 4º lugar na eleição



O governo Bolsonaro cria mais uma polêmica em suas decisões. O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomeou como Reitor da UFVJM - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri o professor Janir Alves Soares, do Departamento de Odontologia, que ficou em 4º lugar na lista de votação dos candidatos a Reitor. O decreto de nomeação foi publicado nessa quinta-feira, 08.08.19. 
A reitoria se localiza no campus da cidade de Diamantina, no Alto Jequitinhonha, em  Minas Gerais. 

No resultado final das eleições para Reitor, ocorrido em 22 de maio de 2019, Janir obteve apenas 5,21% dos votos. O primeiro lugar foi alcançado pelo atual reitor, Gilciano Saraiva, que obteve 27,37% dos votos; Alexandre Crhistófaro, em segundo, com 23,45%; em terceiro, Marcus Guelpelli, com 6,37% dos votos. A abstenção alcançou 33,17% dos votantes. 
Transportando para os votos válidos, ficou assim: 1º - Gilciano, 41,57%; 2º - Alexandre, 35,61%; 3º - Marcus - 9,68%; 4º - Janir - 7,91%; 5º - Marcelo - 5,23%.

No CONSU - Conselho Universitário que referenda o resultado, Marcus Guelpeli foi derrotado e não entrou na lista tríplice enviada ao MEC, pois ficou em quarto lugar. Janir entrou em seu lugar. 

Confira os resultados das eleições para Reitor na UFVJM:

ATA DE APURAÇÃO FINAL
Apuração da Consulta à Comunidade Universitária
Relação ordenada pelo Número de Chapa

Chapas
Discentes
Docentes
TAE
Percentual
Votos Válidos

Chapa 1 :
Alexandre e Flaviana


1.234

228

146

23,45%

35,61%
Chapa 2:
Janir e Marcus Canuto

266

53

25

5,21%

7,91%

Chapa 3:
Marcus Guelpeli e Mara


113


59


65


6,37%


9,68%

Chapa 4:
Marcelo Lia e Cyntia


212


35


14


3,44%


5,23%

Chapa 5:
Gilciano e Carlos Alexandrino


557


271


214


27,37%


41,57%

Votos Válidos

2.382

646

464

65,85%

100%

Brancos

2

1

7

0,24%


Nulos

14

7

7

0,74%


Abstenção

7.102

225

176

33,17%

Fonte: Dados do site da UFVJM. Elaboração: Álbano Silveira Machado.


Atual Reitor da UFVJM, Gilciano Saraiva

Gilciano Saraiva, atual reitor (gestão 2015-2019), e primeiro lugar na escolha da comunidade universitária, disse ao Blog que "a instituição está acima de tudo. Apostei na gestão. Recebi a UFVJM com R$ 70 milhões de dívidas e entrego sem pendências. Procurei administrar sem cortar os serviços essenciais, ofertando mais cursos, incentivando a pesquisa e a extensão, ouvindo todos os setores da instituição. Prefiro sair pela porta da frente, sempre defendendo a democracia e a diversidade no mundo acadêmico", finalizou o Reitor.  
Gilciano administrou a UFVJM, passando por seis diferentes Ministros da Educação, "sem  perder o respeito no relacionamento institucional".

Nomeação política
Há informações de bastidores que o deputado federal Igor Timo (PODEMOS-MG), foi o grande articulador junto ao Governo Bolsonaro para a nomeação do professor Janir. Várias fotos e relatórios foram enviadas ao MEC com o atual Reitor Gilciano em cerimônias com o ex-presidente Lula, na Universidade. Além disso, pode ter pesado na decisão de rejeição a Gilciano, a sua antiga filiação ao PT de sua terra natal, São Miguel do Anta, na Zona da Mata mineira. Ele desfiliou-se, em 2016. 

Gilciano acredita que a decisão tenha influência política, uma vez que, quando reitor, em 2017, recebeu a caravana do ex-presidente Lula, que foi quem criou a instituição. "Respeito a decisão e confio na capacidade de gestão do professor que foi nomeado, mas lamento que a decisão e autonomia da universidade não estejam sendo respeitadas", afirmou Gilciano.

Há suspeitas de Janir ter-se aliado ao grupo de Marcus Cuelpeli, declaradamente bolsonarista. As nomeações de pró-reitores e novos diretores de Departamentos, a partir da posse, em 12.08, confirmarão ou não esse indicativo.

A nomeação criou um clima de tensão no interior da UFVJM com protestos dos estudantes, professores e técnicos administrativos. Para a UNE - União Nacional dos Estudantes, Bolsonaro quer criar balbúrdia nas universidades ao nomear professores como gestores que não foram apoiados pela comunidade universitária. 



Estudantes convocam manifestação para o dia 13 de agosto
Leia a Nota do Movimento Estudantil:
 O MEC ATACA MAIS UMA VEZ A AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA E A EDUCAÇÃO PÚBLICA
No dia 08 de agosto, o governo Bolsonaro assinou um decreto nomeando o professor Janir Alves Soares para o cargo de reitor da Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
Dentre as cinco chapas concorrentes na consulta à comunidade acadêmica, a chapa nomeada ficou em penúltimo lugar, ocupando o último lugar na lista tríplice elaborada e enviada ao MEC pelo Conselho Superior da UFVJM. 
O programa da chapa tem um alinhamento preocupante com o programa Future-se e coloca em risco a existência da única universidade pública com sede nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri,no nordeste de Minas.

Com essa nomeação, Weintraub e o governo Bolsonaro desrespeitam completamente a decisão de quem vive e constrói a UFVJM cotidianamente.
Dia 13 de agosto a resposta pra esse e outros ataques à educação e ao nosso povo será nas ruas do Brasil todo!

Reitores apelam para respeito à autonomia universitária

Os Reitores das Universidades Federais já divulgaram, em junho, uma Nota em que recomenda ao Governo Federal respeitar os resultados da comunidade acadêmica. Mas, Bolsonaro não quer saber.  Ele desconsiderou a eleição da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e nomeou como reitora a candidata derrotada na consulta informal e na votação do Conselho Universitário. 
Em abril, Bolsonaro havia nomeado um professor para a Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UniRio) que nem sequer participou da eleição interna. O professor Leonardo Villela de Castro, que teve 72% dos votos válidos na escolha de nova reitoria, foi rejeitado.

A UFGD ( Universidade Federal da Grande Dourados), em Mato Grosso do Sul,  enviou uma lista tríplice de nomes para ocupar a Reitoria. O MEC não aceitou e pediu para realizar novas eleições. A reitoria da UFGD não acatou a ordem. Houve intervenção, com a nomeação de reitoria temporária, até a realização de nova eleição.   

Por lei, o reitor e o vice-reitor de universidades federais são nomeados pelo presidente da República, escolhidos dentre os indicados em listas tríplices elaboradas pelo colegiado máximo da instituição, ou por outro colegiado que o englobe, instituído especificamente para este fim. Os colegiados, por sua vez, são compostos por professores, que representam 70% do grupo. Os demais 30% podem ser preenchidos por funcionários e estudantes da instituição. 
“É essencial, então, afirmar publicamente a importância de serem conduzidos ao cargo de reitor ou reitora aqueles docentes autonomamente indicados no primeiro lugar pelo colégio eleitoral de suas respectivas universidades, sendo garantido assim um elemento definidor da democracia, que é o respeito à vontade da maioria”, diz em nota a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).
“Nos marcos da legislação atual, o envio de uma lista pela instituição deve ser respeitado. Entretanto, não podemos deixar de defender a indicação de quem teve mais votos no colégio eleitoral. A indicação do primeiro colocado deve, pois, ser respeitada, por um lado, como um valor da democracia e, por outro, em respeito à autonomia de cada instituição”, informa o comunicado.
Para a Andifes, não adotar o critério da escolha do apontado em primeiro lugar na lista tríplice pode ameaçar a qualidade administrativa e desagradar a sociedade científica. O receio dos reitores é que questões de ideologia política sejam consideradas como critério para exclusão de nomes apontados pela comunidade universitária.
“Na universidade, a gente prima pela liberdade de expressão e pensamento. Todas as vozes são contempladas na universidade. Não há viés ideológico. Não há nenhum tipo de pressão ou repressão a qualquer manifestação de pensamento”, disse à Agência Brasil, o presidente em exercício da Andifes, reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira.

Professor Janir Alves Soares tomará posse, na segunda-feira, dia 12.08.19

sábado, 15 de junho de 2019

Greve Geral: Mais de 45 milhões em 380 cidades pararam o Brasil contra a Reforma da Previdência e cortes na educação

Essa sexta-feira, 14.06.19, foi marcada por paralisações e atos de rua.

CUT estima 45 milhões de trabalhadores envolvidos entre paralisações e manifestações em 380 cidades em todos os Estados.

Ouça o áudio:
Paulistanos se concentraram em frente à Fiesp, uma das entidades apoiadoras do golpe parlamentar de 2016 / Mídia Ninja

As ruas responderam com um retumbante “não” à proposta de reforma da Previdência e aos retrocessos promovidos pelo governo Jair Bolsonaro (PSL). Durante todo o dia, os atos convocados por 12 centrais sindicais e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reuniram milhares de pessoas em 380 cidades de norte a sul do país, de acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsável pela produção do mapa abaixo (clique aqui para acessar o mapa interativo) com o levantamento dos atos que marcaram a Greve Geral em todo o Brasil.



Ao todo, segundo a central, 45 milhões de trabalhadores participaram ou foram impactados pelos atos e paralisações.
Nas capitais, a adesão dos setores de transportes, ônibus, metrôs e trens contribuiu para grande número de pessoas que foram engajadas na discussão dos temas que pautam a Greve Geral.
Na internet, a #GreveGeral liderou a lista de “assuntos do momento” do Brasil na rede social Twitter. Entre 17h e 17h20, aconteceu uma mobilização virtual – “twittaço” – contra a reforma da Previdência, com a hashtag  #BrasilBarraReforma.
A Greve Geral desta sexta-feira (14) é um desdobramento da luta unitária das centrais sindicais, movimentos populares e setores progressistas pela educação pública e contra a reforma da Previdência. Os protestos dos dias 1º, 15 e 30 de maio também foram construídos a partir da união de forças democráticas.

Greve Geral de 14 junho

Brasil amanheceu com rodovias bloqueadas. (Foto: Divulgação)
Atos de rua mobilizaram as principais cidades do país
Na capital paulista, 50 mil pessoas se reuniram em frente à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e seguiram até a Praça da República, onde o ato foi o encerrado. Na concentração, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) comentou os dois episódios que marcaram a semana de Bolsonaro. 
“Qual é a moral de um presidente que se aposentou aos 33 anos tem para impor goela abaixo uma reforma da Previdência como essa?”, perguntou durante o ato, que também pediu a renúncia do ministro Sérgio Moro. “Ele já era partidário quando era juiz, imagine agora que é político. Ele descumpriu a lei e prendeu quem deveria estar no lugar do Bolsonaro.” 
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, discursou sobre o êxito da Greve Geral. "Várias categorias cruzaram os braços e pararam. A turma do lado de lá estava com saudade das manifestações”. Para o líder do movimento, mesmo após a modificação no texto da reforma, ainda há a necessidade de debater outros pontos. "É positivo ter tirado a capitalização e o ataque à aposentadoria rural, mas nós queremos que tire a redução da aposentadoria por invalidez e o aumento da idade mínima para aposentadoria”, argumentou.
Laurent Matalia, professor da rede municipal de São Paulo (SP), participou da manifestação na Avenida Paulista e diz que foi à manifestação porque a Previdência é garantia de uma velhice minimamente digna. "Tento convencer muitos colegas que não compreenderam ainda que isso é uma bomba-relógio que vai estourar depois. O Brasil bem ou mal dá alguma dignidade para quem trabalhou toda uma vida, e eles estão querendo destruir isso", explicou o professor que não foi trabalhar nesta sexta (14).
A ex-metalúrgica Antônia Tiossi diz que foi à manifestação defender seu país. "O Brasil está muito triste. Primeiro fizeram uma campanha de ódio, agora uma campanha de tristeza com essa reforma que não é uma reforma é acabar com a Previdência. Os mais prejudicados serão os mais jovens e os menos favorecidos", afirmou.


No Rio de Janeiro (RJ), a manifestação se concentrou na região da Candelária e percorreu o centro; houve repressão policial. (Foto: Clívia Mesquita)
Além da capital paulista, tarde e noite de Greve Geral teve atos registrados em pelo menos outras 13 capitais de todas as regiões.
Em Belo Horizonte, mais de 250 mil pessoas participaram da passeata, que saiu da Praça Afonso Arinos e percorreu as ruas do Centro até a Praça da Estação.
Paralisaram as atividades nesta sexta-feira (14), os bancários, dos setores público e privado (Belo Horizonte, Juiz de Fora e região), servidoras e servidores da educação (municipais, estaduais e federais), da saúde, servidores públicos municipais, trabalhadoras e trabalhadores da Copasa 
(água e saneamento), da área de processamento de dados (Serpro, Dataprev, Prodabel e 
Prodemge), metalúrgicos, petroleiros, Correios, eletricitários, economistas, professores e 
estudantes.
As mobilizações não se limitaram ao ato. Na BR-040, em Congonhas, na região Central, as duas 
pistas – sentido BH e Rio de Janeiro – foram completamente interditadas por manifestantes desde
 o início da manhã. Nas primeiras horas da manhã. Por volta das 6h50, a BR-381, em Betim, na Grande Belo Horizonte, foi paralisada por manifestantes. O protesto parou o trânsito por uma 
hora. Estudantes também trancaram a Avenida Antônio Carlos, também pela manhã, próximo à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Houve paralisação, também, na Linha Verde, próximo à Cidade Administrativa, sede do governo estadual. Em Ouro Preto, diversos sindicatos, movimentos e organizações populares começam o dia parando a garagem da Transcotta e 
dialogando com os trabalhadores.
Em Salvador (BA), 2.700 ônibus do sistema municipal de transporte não saíram das garagens, sendo que o serviço é utilizado diariamente por mais de 1,3 milhões de soteropolitanos. Durante a manhã houve passeata na capital, da Rótula do Abacaxi até o Iguatemi, e durante a tarde o ato que reuniu cerca de 70 mil manifestantes, do Campo Grande à Praça Castro Alves, mesmo com a paralisação dos rodoviários por 24 horas, e apenas o funcionamento do metrô e vans.
No Recife (PE), o ato público se caracterizou como um grande ponto de confluência das mobilizações da Greve Geral que parou o Brasil nesta sexta-feira (14). Milhares de pessoas se concentraram no centro da capital pernambucana, entre elas estava a professora aposentada Maria do Socorro que, aos 72 anos, foi às ruas defender um direito que ela já teve acesso, o da aposentadoria. “Estamos sendo atacados da forma mais vil, querem tirar nosso direito de descansar na velhice”, afirma.

Nilza Gomes, que também participou da mobilização, se declara veementemente contra a proposta de reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL). “Eles ainda querem nos enganar chamando de 'Nova Previdência'. A previdência não é nova. Ela é um direito nosso já garantido”, diz.
Greves e manifestações ocorreram nas principais cidades, com a participação dos trabalhadores do campo. Nos Campos Gerais, cerca de 1.200 pessoas participaram da manifestação na cidade Ponta Grossa. Em Londrina, o ato unitário teve cerca de três mil pessoas e paralisação do principal terminal de ônibus da cidade. Foz do Iguaçu registrou sete mil manifestantes e Cascavel, na região Oeste do estado, cerca de 2 mil pessoas.
Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, os organizadores da Greve Geral afirmam que cerca de 80 mil pessoas compareceram na manifestação ocorrida nesta tarde. Inicialmente, a concentração do ato aconteceu nas redondezas do Shopping Midway Mall e, depois, manifestantes caminharam até o Natal Shopping, localizado no bairro de Candelária.
Na capital paranaense, Curitiba, estudantes, professores e demais grevistas mobilizaram 6 mil pessoas em ato iniciado às 18h, a partir da praça Santos Andrade. O dia foi repleto de atividades e, no final da manhã, havia ocorrido concentração de servidores e professores em frente ao palácio do governo. Às 14h, houve caminhada dos sindicatos pelo centro da cidade.
"Estamos marcando uma página importante na defesa dos nossos direitos, na defesa de um Brasil que seja um país para a maioria do seu povo, e não esse Brasil do governo federal", avaliou o professor Hermes Leão, presidente da APP Sindicato.
No interior do estado, houve mobilizações em Maringá (10 mil), Cascavel (2 mil), Londrina (3 mil), Ponta Grossa (1,2 mil), Araucária (mil), Foz do Iguaçu (7 mil) e Toledo (500 manifestantes).
O dia de Greve Geral foi marcado por passeatas e mobilizações contra a reforma da Previdência em todo o estado do Rio de Janeiro. No final da manifestação que reuniu cerca de 100 mil pessoas no Centro do Rio, segundo os organizadores, a Polícia Militar dispersou trabalhadores e estudantes lançando bombas de gás lacrimogêneo.
Durante a manifestação no Centro do Rio, trabalhadores e estudantes entoaram palavras de ordem contra as mudanças nas regras da aposentadoria que poderão afetar a parcela da população mais pobre do país: “Eu não abro mão da Previdência e nem da educação”, “Pisa ligeiro, quem mexeu com a Previdência atiçou o país inteiro”, e “A nossa luta unificou é estudante junto com trabalhador”.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participou das manifestações em todos as regiões brasileiras. Em Pernambuco, o dirigente nacional Jaime Amorim disse ao Brasil de Fato que o país ainda está tentando se recuperar do golpe contra a democracia e o Estado Democrático de Direito, pós-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Na análise de Amorim, o sentimento de antipetismo e o ódio criado pela elite fez a população identificar como opção o governo autoritário de Bolsonaro. “Agora, a população está acordando, está vendo que há um grande risco de a gente retroceder na construção da Democracia, da soberania nacional e do país nação”, disse.
Em Rondônia, os atos de rua reuniram 3 mil manifestantes na capital Porto Velho, 150 em Ariquemes, 100 em Guajará-Mirim, 200 em Jaru, 500 em Ouro Preto, 200 em Ji-Paraná, 200 em Rolim de Moura e 300 em Vilhena.
No Largo do Zumbi, em Porto Alegre (RS), trabalhadores e estudantes encerraram a noite com uma votação simbólica por adesão a novas paralisações contra reforma da Previdência de Bolsonaro e Paulo Guedes.
Repressão
As manifestações foram alvo de repressão policial em algumas cidades do país.
Em São Paulo, um ato pela manhã na Universidade de São Paulo (USP), com participação majoritária de estudantes, professores e servidores públicos, foi dissolvido com balas de borracha e bombas jogadas por policiais militares.
Na confusão, algumas pessoas foram atingidas por estilhaços de bombas e em seguida levadas para o Hospital Universitário da USP, segundo o sindicato dos trabalhadores da universidade. Além disso, 15 manifestantes foram detidos e levados à 51ª Delegacia de Polícia, no Rio Pequeno.
À tarde, manifestantes também relataram violência das forças de segurança do Estado, que tentavam dispersar o ato, na altura da Consolação e da Praça Roosevelt. A PM ainda não se pronunciou sobre o caso.
Ainda de acordo com o sindicato, não há motivos para uma acusação de flagrante de qualquer tipo de crime. A audiência de custódia, para saber se eles vão aguardar o julgamento em liberdade ou presos, vai acontecer neste sábado, dia 15.
Em Araucária, no Paraná, a guarda municipal atacou com balas de borracha o protesto de trabalhadores na BR 426, na região metropolitana de Curitiba, perto da refinaria Presidente Getúlio Vargas. Três pessoas ficaram feridas e foram levados para um hospital. Um agricultor do MST foi atingido no rosto.
Na Paraíba, um policial foi filmado dando um tapa no rosto de um estudante, diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Ao Brasil de Fato, o estudante agredido contou que manifestantes faziam piquete em frente à empresa de Call Center A&C, quando um dos trabalhadores da empresa chegou e eles ficaram segurando a pessoa para ela não entrar no prédio, por conta da greve. Então um policial militar chegou gritando, dizendo para "acabar logo com essa porra".
Manhã foi de atos, trancamento de rodovias e paralisações de categorias
A Greve Geral desta sexta começou cedo para as centrais sindicais, para o MST e o MTST, que bloqueou vias em São Paulo e também organizou ações em terminais de ônibus. Ao todo, de acordo com o movimento, foram 16 intervenções. Por volta das 7h, os sem-teto fecharam a avenida Hélio Schimidt, que dá acesso ao Rodoanel, na altura de Guarulhos (SP), impedido a chegada até o aeroporto. A Polícia Rodoviária Federal tentou impedir o travamento da via avançando com os carros em dire~çao os manifestantes. Não houve feridos. 
Todas as ações do MTST começaram às 7h. A mais volumosa foi na Ponte João Dias, zona sul de São Paulo, que ocupou todas as faixas da via no sentido centro. Os manifestantes marcharam e seguravam uma faixa que dizia: “Não à reforma da Previdência”.
No Terminal Ferrazópolis, na entrada pela avenida Faria Lima, em São Bernardo do Campo, os militantes do movimento fecharam o acesso ao local. Na zona norte da capital paulista, na avenida Corredor, eles também marcharam e travaram as vias. Na zona leste, o MTST ocupou a Radial Leste e seguiu em marcha até o Metrô Itaquera, que estava fechado por conta da adesão dos metroviários à Greve Geral. No local, há também um terminal de ônibus, que permanecia inativo. Por volta das 10h, os manifestantes dispersaram.
Até as 13 horas, mais de 300 cidades de todos os estados haviam registrado protestos. Das 27 capitais, 19 tiveram o sistema de ônibus afetado pela mobilização. Outras oito não tiveram interrupção no transporte coletivo por ônibus, mas registraram bloqueios de ruas ou estradas por manifestantes, ou tiveram paralisação parcial no metrô.
Organizaram paralisações trabalhadores de portos como o de Pecém no Ceará; refinarias, como Recap em Mauá e Abreu e Lima em Pernambuco; indústria metalúrgica, como Volks e Mercedes em São Bernardo; energia; bancários em São Paulo e no ABC; pessoal da Saúde; Eletricitários; Correios no Rio e São Paulo; e universidades como UFRJ, UFSC, UFAL, UFBA e UFCG.
Além das paralisações, a manhã desta sexta (14) foi marcada por dezenas de atos em todo país, organizados por movimentos populalres como o MST, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Atingidos por Barreiras (MAB) e Marcha Mundial das Mulheres, com interdições de rodovias e avenidas.
Na cidade de São Paulo, ocorreram bloqueios na avenida 23 de Maio, no elevado João Goulart, na USP e em Sapopemba, entre outros pontos. No estado foram registrados atos em São Bernardo, Diadema, Campinas, Bauru, Itapeva, Sorocaba, Vinhedo, Taubaté e Presidente Prudente.
Houve bloqueios ainda em Santa Catarina (Florianópolis e Chapecó), Alagoas (Maceió), Paraná (Araucária, Francisco Beltrão, Cascavel e Pato Branco), Pará (Belém e Eldorado doas Carajás), Pernambuco (em várias rodovias do entorno de Recife e outros pontos do estado, como Aliança, Jaboatão, Gravatá, Pesqueira e Caruaru), em Minas Gerais (Ouro Preto, Juiz de Fora, Congonhas e BH), Rio de Janeiro (Capital, Niterói e Campos dos Goytacazes), Sergipe (Aracaju e Monte Alegre), Rio Grande do Norte (Natal, Extremoz e João Câmara); em vários pontos na Paraíba; na Bahia (Barreiras, Catités, Santo Antonio de Jesus, Salvador); no Maranhão (São Luís), no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Eldorado do Sul), em Rondônia (Jaru) e em Goiás (Goiânia).
“Acabar com a Previdência para colocar a capitalização e vender nos bancos é o que o governo quer. As centrais sindicais não vão discutir a retirada de direitos. A mudança do relator não ajudou. Ela continua retirando os direitos. A proposta do Bolsonaro e do Guedes é tão ruim que o relator para fazer pior tinha que fazer muita força. Queremos a Previdência geral, ampla e pública. Queremos melhorá-la e a proposta é só para pior”, disse Vagner Freitas, presidente da CUT, ao fazer um balanço das atividades.
Edson Carneiro, o Índio, dirigente da Intersindical, afirmou que o relatório do deputado paulista Samuel Moreira (PSDB) não representa avanços definitivos na proposta e que o esforço dos trabalhadores e da oposição deve ser direcionado para a derrubada da PEC 6/2019.
“A despeito de ter tirado o que era muito escandaloso que era desconstitucionalização e a capitalização, mantém todas as crueldades contra as mulheres, o aumento do tempo de contribuição, a idade mínima de 65 anos e 62 anos, como se o povo começasse a  trabalhar depois dos 30 anos, como acontece com os deputados. O povo brasileiro e a classe trabalhadora ainda tem muita luta para fazer”, asseverou.
 Fonte: Brasil de Fato

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Governo de Minas doa imóvel para criação da Casa do Estudante Mineiro

Entrega é uma devolução simbólica da sede 

dos estudantes mineiros tomada 

durante a ditadura militar.

imagem de destaque
Fernando Pimentel destacou a importância simbólica do ato e o significado da entrega,
 no Palácio da Liberdade

O governador Fernando Pimentel autorizou nesta quarta-feira (14/6), durante evento no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, a doação de um imóvel na capital para a criação da Casa do Estudante Mineiro. A entrega é uma devolução simbólica da sede dos estudantes mineiros que foi tomada durante a ditadura militar.

O espaço abrigará as entidades estudantis mineiras de representação universitária e secundarista - União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e União Colegial de Minas Gerais (UCMG), e receberá atividades de formação, capacitação profissional e ações culturais. No espaço, também funcionará um curso pré-vestibular para estudantes de baixa renda, cursos de línguas e informática, entre outras atividades. 

Emocionado, Pimentel destacou a importância simbólica do ato e o significado da entrega. “Estamos resgatando uma dívida histórica com a UEE e com a União Nacional dos Estudantes (UNE). A sede foi tomada pela ditadura e, agora, o governo democrático faz o certo, que é devolver aos estudantes a sede da entidade. Ano que vem comemoramos 50 anos das jornadas estudantis de 1968. Só estou aqui hoje porque estive nas jornadas de 68, eles (os estudantes) têm de persistir. Fico muito feliz e emocionado de ser mais do que testemunha - ser protagonista desse momento”, afirmou.

Para a presidente da UNE, Carina Vitral, o espaço ajudará na organização e avanço não só do movimento estudantil em Minas Gerais, mas também na discussão em torno de outras demandas sociais. “O movimento estudantil de Minas Gerais ganha muito com a retomada da sede da UNE. Esse vai ser um ponto de encontro da juventude, um pondo de articulação das lutas, de atividades de educação. Isso, com certeza, vai fortalecer o movimento estudantil, que já é muito pungente e que cada vez mais será articulado. Agora o movimento estudantil tem um lugar seu de volta”, destacou.

 A presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE-MG), Luanna Ramalho, acredita que uma nova sede auxiliará na divulgação dos propósitos dos movimento no estado por meio da participação dos estudantes e da população em geral.  “É a consolidação de um sonho de várias gerações de juventudes, que lutaram pela mesma conquista que se dá aqui hoje. Agora, foi cicatrizada uma ferida que foi deixada desde a ditadura militar. Esse é um espaço muito importante, e essa doação reforça o que esse governo tem feito, que é ouvir para governar’”, completou.

Também participaram do ato os secretários de Estado de Educação, Macaé Evaristo, de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais, Wadson Ribeiro, e de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Miguel Corrêa, além do deputado estadual Geraldo Pimenta e lideranças de movimentos sociais.

55º Congresso da UNE

A capital mineira recebe, desta quarta-feira (14/6) até domingo (18/6), o 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune). A expectativa é que cerca de 10 mil estudantes participem da edição deste ano.

Na pauta do encontro estão temas como conjuntura, educação e os rumos do movimento estudantil, além da eleição da nova diretoria da UNE. O evento vai relembrar ainda os 40 anos do III Encontro Nacional dos Estudantes (III ENE), que virou símbolo da resistência à ditadura militar.
Fonte: Agência Minas