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terça-feira, 20 de agosto de 2019

Municipalismo e ocupação das cidades podem ser alternativa à representação política

Municipalismo, alternativa à crise da representação?

Buscar a experiência coletiva no espaço da cidade. Libertar a vida dos códigos capitalistas, sem cair na armadilha do isolamento pessoal. Como a luta nos territórios, onde a relação de forças tem a concretude dos corpos, pode criar nova política.
O Anti-Édipo, livro de Gilles Deleuze e Félix Guattari, tem uma sacada muito interessante sobre três tipos de formação social e suas superfícies de registro: a sociedade primitiva em que tudo se inscreve na terra, o corpo se registra nela e a ela tudo conduz; a sociedade despótica em que tudo se inscreve no corpo do déspota, a ele tudo pertence e ele exige tudo para si como de direito; e a sociedade capitalista em que tudo se inscreve no corpo desterritorializado e fluido do capital, toda a vida se orienta a ele, se organiza para ele e com ele, fora dele quase não há vida, ele codifica o desejo, talha o corpo aos seus moldes, ao ponto de fazer coincidir a noção de liberdade com sua própria reprodução.
Não há entre estas três formas sociais uma linha progressiva que leva de uma a outra. As duas primeiras não desapareceram e suas virtualidades persistem nas sociedades capitalistas, se atualizando de diversas formas. E em cada uma dessas formações há sempre algo que escapa aos seus códigos. O que é sempre arriscado quando as próprias formas de estar vivo se inscrevem em suas superfícies de registro. Considerar essas características das formações sociais nos ajuda a pensar sobre nossas lutas para reinventar a vida hoje.
Como liberar a vida dos códigos capitalistas? Como criar as condições de experiência da liberdade para além do dinheiro se até o amor, o charme e a libido são suscitados pela riqueza? Como não deixar a própria consciência ser subjugada pelo trabalho tendo a honestidade como valor de apelo último em que o pobre tenta justificar a pouca autonomia que tem? Todas essas questões passam pela luta de produzir a si mesmo, mas isto não vai muito longe se seguir o mesmo esforço individualizante de conquistar a liberdade através do dinheiro.
Não devemos reduzir a conquista da liberdade a uma concepção do sujeito livre como um self-made man, pois este não passa de alguém que foi bem disciplinado a cumprir bem as funções que lhe foram impostas para sobreviver e isto não é autodeterminação.
Ok, autodeterminação pode ser sempre uma ilusão se consideramos que nossa ação ou vontade é sempre resposta a algum conjunto de causas obscuras que quase nunca temos consciência e muito menos algum controle. Como para alguns aceleracionistas que acreditam que tudo que fazemos é efeito das causas do próprio capital agindo sobre nós e qualquer coisa que fizermos contra ele só o levará a aprimorar seus modos de reprodução de si e controle de sua própria entropia. Mas então, como produzir causas dentre estas causas? Posso tentar exercer uma autodisciplina estoica, mas sei que a qualquer momento posso sucumbir a uma sociedade que distribui desigualmente a precariedade, as dificuldades e o fracasso.
Portanto, a pergunta deve ser sobre uma causa comum da liberdade. E a própria pergunta deve nos incitar a buscar os meios de nos reconectarmos coletivamente, considerando que as redes de solidariedade que criamos entre nós permite condições que possibilitam o exercício da autonomia, tais como mais segurança, hospitalidade, afetuosidade e cuidado mútuo, compartilhamento do uso comum de alguns bens, compreensão e acolhimento, dentre outras coisas sem as quais viver se torna um caminho ainda mais solitário e estreito.
Precisamos de um conceito de liberdade como partilha e o mais desafiador para isto talvez seja recriar entre nós a confiança mútua e o desejo de estarmos juntos. Isto pode não ser o suficiente para reestruturar toda uma sociedade, mas com certeza é imprescindível para tornar este caminho possível. Essa confiança não surge como a consciência de um valor em relação ao qual as forças sociais devem se adequar, mas através da propagação do desejo pela experiência coletiva de se misturar e estar junto.
Uma organização sociopolítica é antes de tudo uma articulação a partir de um lugar de desejo que se multiplica pelas bordas. É nisto que compreendemos que toda produção desejante é imediatamente produção social. Para que um coletivo consiga se difundir socialmente, ele precisa fazer funcionar suas capacidades de fabulação e de delirar o campo social, suscitando e fazendo passar um fluxo de desejo que é o combustível de produção dos seus ajuntamentos coletivos. O desejo tem aí uma função conectiva e dispersiva ao mesmo tempo.
Com os recentes governos populistas da extrema direita, tudo parece uma grande máquina de simulação que nos incapacita de se orientar em relação ao Estado. As polêmicas contínuas desses governos parecem ser mobilizadas para nos manter nesse estado paranoico e manter suas bases aquecidas, como um sistema cibernético que controla seu próprio grau de intensidade.
Em seu livro 21 Lições para o Século 21, o escritor Yuval Harari diz que:“Os políticos são um pouco como músicos, e o instrumento que eles tocam é o sistema emocional e bioquímico humano [e um pouco mais!]. Eles fazem um discurso — e há uma onda de medo no país. Eles escrevem uma mensagem no Twitter, e há uma explosão de ódio”.
O grande lance dos atuais governos populistas de direita é que eles aprenderam a manipular esses efeitos. Entenderam as relações de causa e efeito dos seus próprios discursos e tratam a opinião pública como um termostato, controlando os graus de agitação, atenção, intensidade etc. É o caso, por exemplo, de uma empresa como a Cambridge Analytica, uma empresa que desenvolveu um método para observar os dados e informações do comportamento do público nas redes sociais e antecipar quais novos outputs liberar a partir de uma previsão de probabilidade das reações.
Mas isso confunde nossa capacidade de discernir e decidir mais em relação às escolhas que nos impõem no nível institucional e representativo. Penso que é possível, ainda, um tipo de ação que se desprenda de ter que responder ou se posicionar em relação aos malabarismos das figuras representativas do poder como governo. Talvez um pouco de indiferença em relação ao governo possa fazer bem à capacidade de autodeterminação das nossas práticas políticas.
Para sair dessa situação sempre reativa da ação, que nos obriga a sempre ter que responder o mais rápido possível aos estímulos paranoicos da representação, é interessante pensar num tipo de mobilização incondicional do desejo de experimentar a democracia. Isto não quer dizer que seja uma mobilização sem estratégia, mas sim uma estratégia que não é articulada em reação às posições do governo, mas em relação às condições concretas que nos permitem ou não agir e construir uma experiência compartilhada dos modos de produzir nossa vida. O municipalismo pode ser uma via pra isso na medida em que toma o espaço da cidade como lugar desta experiência corporal e coletiva da democracia.
Quando digo “compartilhada” quero dizer transindividual. Recuso uma ideia de sujeito coletivo que estabelece uma identidade a partir da qual se inclui ou exclui. Também recuso uma ideia de indivíduos autônomos e atômicos. Essa liberdade (capacidade de agir sobre nós mesmos) partilhada se dá pelo que passa entre nós. Ou seja, é uma proposta de pensar a partir das relações que estabelecemos e o que elas permitem. É também uma proposta para pensar o desejo que nos arrasta, que nos leva a dizer isso ou aquilo, a nos reunirmos com este ou aquele grupo, a compartilharmos isso ou aquilo, independente de um centro de difusão que concentra tudo.
É essa capacidade de mobilizar o desejo e a crença que precisa ser reconquistada para sermos capazes de fazer da política uma experiência diferente do que é esse lenga-lenga de tiro ao alvo entre coronéis que brigam entre si. O maior obstáculo para isso talvez seja realmente abandonar a estratégia que gira exclusivamente em torno do poder e suas urgências e se deslocar para uma estratégia indiferentista em relação aos personalismos da política, se movendo para um modo mais impessoal de fazer política.
Quando falo de uma prática política impessoal imagino um tipo de ajuntamento e de ações difusas e simultâneas que interagem entre si, que não tem como condição para existir a vinculação a um centro ordenador. Um nome pessoal aqui seria no máximo uma metonímia para um conjunto de pautas e demandas. Pautas e demandas são os nomes concretos que os desejos ganham e produzem em política. É isso que deve ser feito possível. 
O municipalismo pode ser um caminho, mesmo que mais difícil e arriscado, porque é no espaço que a política se faz relação de força e experiência corporal – e não há por que opor local e global porque nas atuais condições sociotécnicas que existimos já estamos sempre conectados e as experiências locais estarão sempre dialogando e fazendo trocas com outras de um modo translocal. E é no espaço também que encontramos o poder enquanto relação de força exercida mutuamente entre os corpos. Nisto talvez nos desvencilhemos das figuras representativas do poder como governo que nos mantém nesse estado paranoico de servidão a algum senhor.
Relações de força se dão em todo lugar. Mas pensar o poder de modo espacializado permite perceber essas relações de força sendo exercidas de modo concreto e diferente do nível representativo que na maioria das vezes só encena enquanto quem manda mesmo nunca aparece e só paga pela atuação.

Renan Porto* RENAN PORTO

Renan Porto é ensaísta e poeta, mestre em filosofia do direito pela UERJ e autor de O Cólera A Febre (Urutau, 2018).

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Turmalina: Ipê amarelo é atração turística

Árvore típica do cerrado brasileiro atrai curiosos de toda parte da cidade para fotografias e é sucesso no Facebook.


Em Turmalina, no Alto Jequitinhonha, no nordeste de Minas, não é difícil encontrar Ipês, mas um em específico chamou a atenção de todos: o Ipê Amarelo, do bairro Cruzeiro Azul.
Quem plantou e cuida do Ipê foi a professora Junea Orsine Lopes Castro, que contou como é ter a atração da cidade na porta de casa. “É uma alegria sem tamanho, não me canso de olhar. Vem muita gente olhar e tirar foto, aqui virou um ponto turístico”!

A árvore foi plantada por Junea e seu marido em meados dos anos 90. De lá pra ca, o Ipê passou por várias fases chegando até a atrasar o desenvolvimento. “Por duas vezes vieram cavalos e comeram o broto, mas sempre cuidávamos”, ressaltou.
“Ele começou a apresentar flores em 2012, mas estava muito desigual em termos de copa. Meu marido resolveu fazer uma poda, eu não queria e até chorei na época! Hoje, entendo que a poda foi boa. Acho que demorou mais 5 anos para ver ele florindo mas reconheço que foi bom e ele deu show neste ano”, confessou Junea.

“Procuramos cuidar dele como se estivesse na natureza mesmo. A gente molha pouco e, umas 3 vezes por semana, adubamos, mas nada que motive a florir dessa forma, embora eu creia que o nosso cuidado tenha uma parcela de contribuição”, declarou Junea.
“Percebi que ia dar um show quando os botões começaram a surgir. Nos anos anteriores ele não floriu desse jeito! As folhas caíram e tive uma sensação muito boa… Tudo isso me impressiona e sinto a presença de Deus”.
De acordo com a professora, o cuidado com a árvore é imprescindível. “Dá muito trabalho, mas acho que a beleza dele compensa tudo. Todo mundo ama ele hoje”, comemorou.


Segundo Junea, há períodos de mais dedicação ao Ipê. “São sacos e sacos de folha! O vento toca pela rua afora e não é todo mundo que gosta. Fico pensando que tudo seria tão diferente se cada um de nós tivesse um Ipê na porta, em várias ruas na cidade! No fim, a gente é recompensado”, afirmou Junea.
Junea alertou para a despedida do Ipê.
“Dura pouco essa floração. Apesar de ter dado muita flor, já está acabando”.

Natureza
“Eu sou apaixonada por flores. Trabalho muito, mas sempre tiro um tempo para cuidar das minhas plantas e ver cada novidade que elas me apresentam. Essa dedicação é boa pois livra de outros problemas, é muita dedicação, carinho, e amor envolvidos”, enfatizou.
Fonte: Conexão Minas

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Araçuaí: Câmara aprova projeto para regulamentar estacionamento na cidade

Prefeitura tem prazo de 60 dias para regulamentar o trânsito na referida via pública.

Foto: Gazeta de AraçuaiCâmara aprova projeto para regulamentar estacionamento em Araçuai
Rua José Antonio Araújo é uma das mais movimentadas da área comercial de Araçuai

Já está em vigor a lei 057/2017 que dispõe sobre a regulamentação de estacionamento 45 graus na rua José Antonio Araújo, a partir da praça da Matriz e finalizando nas proximidades do mercado municipal.

O projeto de lei, de autoria do vereador Carlindo Dourado (PRB) atual presidente da Câmara, foi aprovado por unanimidade pelos vereadores e sancionado pelo prefeito municipal, Armando Paixão (PT) no início de janeiro deste ano. A prefeitura tem um prazo de 60 dias para realizar a regulamentação do transito na rua José Antonio Araújo, que liga o centro da cidade à região do Alto do Mercado.
Rua José Antonio Araújo passa a contar com estacionamento 45 graus.
Rua José Antonio Araújo passa a contar com estacionamento 45 graus.


Na justificativa do projeto, o vereador afirmou que é necessário organizar o fluxo do veículo na referida via pública  que abriga grande parte do comercia lojista local.

A prefeitura deverá ainda realizar uma campanha educativa para a população, esclarecendo os efeitos da lei aos proprietários de veículos. O não cumprimento da lei pode resultar em multas e remoção do veículo para desobstrução da via, conforme estabelecido no Código deTrânsito Brasileiro.

VEJA COMO DEVERÁ FICAR O ESTACIONAMENTO

Fonte: Gazeta de Araçuaí





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Francisco Badaró: rio Sucuriú transborda e invade ruas da cidade

O problema é antigo e prefeitura admite que precisa de ajuda dos governos estadual e federal.

Foto: Ascom/prefeituraSucuriú transborda e invade ruas em Francisco Badaró
Córrego Sucuriú corta o centro da cidade
O centro comercial da cidade de Francisco Badaró, no Vale do Jequitinhonha(MG), ficou completamente alagado no final da  tarde desta quarta-feira (06.12), após o Córrego Sucuriú transbordar e invadir as ruas, depois das chuvas que caíram na região nos últimos dois dias. 
Máquinas e operários da prefeitura iniciaram a limpeza depois que as águas baixaram.
Máquinas e operários da prefeitura iniciaram a limpeza depois que as águas baixaram.


Durante toda a manhã  desta quinta-feira (7), máquinas da prefeitura e operários retiravam a lama das ruas.que ficaram praticamente intransitáveis. 

A água invadiu as principais ruas do comércio e dificultou o trânsito de caminhões e carros que tentavam passar pelo local. 

Apesar do transbordamento do córrego, não há registro de desabrigados.
Apesar do transbordamento do córrego, não há registro de desabrigados.

  
A Polícia Militar informou que não há desabrigados. De acordo com o secretário municipal de Governo, o ex-prefeito, José João Figueiró, a prefeitura já comunicou a Coordenadoria de Defesa Civil do Estado, colocando o município em estado de alerta, já que há previsão de mais chuvas. Ele disse que somente na tarde desta quarta-feira (6) caíram 30 milimetros de chuva, o que equivale a 30 mil litros de água por metro quadrado.
  
Filme antigo 

Em setembro, a prefeitura fez limpeza das margens e retirada de todo o lixo que estava no leito do córrego.
Em setembro, a prefeitura fez limpeza das margens e retirada de todo o lixo que estava no leito do córrego.

  
Todo período de chuvas ficamos em alerta total”, dizem os comerciantes.

A solução para o problema seria a canalização do córrego e construção de uma barragem na cabeçeira. É obra caríssima. A prefeitura não tem condições de bancar, sem ajuda dos governos federal e estadual", assesgura o secretário municipal de Governo José João Figueiró. 


Para diminuir os efeitos das cheias, muitos moradores da  parte baixa da cidade e comerciantes colocaram tampões nas portas, construíram pequenas barrreiras de cimento nas entradas e deixam mercadorias no alto, para evitar prejuízos maiores.  

A situação  na cidade começou a se normalizar nesta quinta-feira (7) com a limpeza das áreas atingidas. 

Sérgio Vasconcelos Repórter, na Gazeta de Araçuaí

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Microrregião de Salinas tem Projeto Piloto de regularização fundiária urbana.


Processos de regularização de imóveis urbanos devolutos, que estavam parados desde 2014, foram retomados pelo Governo de Minas Gerais.


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A Secretaria de Estado de Cidades e de Integração Regional (Secir) realizou, nos últimos meses, ações na área de Regularização Fundiária Urbana, que resultaram em grandes avanços em processos de regularização de terras devolutas que estavam parados no âmbito estadual ,desde 2013.
Dentre as medidas tomadas destaca-se a abertura de matrícula para áreas devolutas situadas nos municípios de Datas e São José da Safira e a publicação do edital de concorrência para a contratação de Diagnósticos Fundiários Urbanos.
A área regularizada na cidade de Datas está sendo utilizada pela prefeitura para a promoção de serviços voltados às áreas de esporte e saúde. Por sua vez, em São José da Safira, o terreno de aproximadamente 7.500 m² localizado na área central, será utilizado para a construção de uma creche comunitária.
O secretário de Estado de Cidades e de Integração Regional, Carlos Murta, destacou a importância deste trabalho para a implementação de políticas públicas nas cidades atendidas e ressaltou que esta ação interrompe um período de três anos em que o Estado não regulariza imóveis urbanos devolutos.
“A regularização destes imóveis proporcionará às prefeituras atendidas mais facilidade na obtenção de recursos federais para a construção da creche e para eventuais reformas em equipamentos públicos já existentes” explica o secretário.
Diagnósticos Fundiários Urbanos
Ainda no que se refere a regularização fundiária urbana, a Secir publicou edital de licitação para a contratação de Diagnósticos Fundiários Urbanos em 12 municípios situados no norte do Estado.
Este instrumento faz parte de um Projeto Piloto de regularização, que está sendo implantado pela Secretaria de Cidades, na Microrregião de Salinas e que tem como aspecto norteador o conceito de regularização que engloba as vertentes urbanísticas, ambientais, sociais e jurídicas.
Foram contemplados com o diagnóstico os municípios de Berizal, Curral de Dentro, Fruta de Leite,  Indaiabira,  Ninheira. Novorizonte, Padre Carvalho, Rubelita, Salinas, Santa Cruz de Salinas,  São João do Paraíso e Taiobeiras.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Câmara reprova projeto que cria serviço de mototáxi em Capelinha

Com a reprovação do projeto, vereadores favoráveis ao serviço querem que ele seja implantado através de decreto.

Foto: divulgaçãoCâmara reprova projeto que cria serviço de mototáxi em Capelinha
Sessão plenária que analisou o projeto foi realizada na última quinta-feira (20)
A Câmara de Capelinha rejeitou na noite desta quinta-feira (20/04) o Projeto de Lei (PL) 003/2017, de autoria do Executivo, que cria o serviço de mototáxi no município. Dos 13 vereadores, 7 votaram contra.

Após a decisão, os parlamentares favoráveis apresentaram ofício solicitando a instituição do serviço de transporte individual de passageiros através de decreto. “Conforme é de conhecimento público e notório em nossa cidade, a criação de mais esse meio de transporte é um anseio antigo da população capelinhense, sendo que essa não é a primeira vez que o tema é trazido a essa Casa do Povo”, justificam os vereadores em ofício destinado ao Prefeito Tadeuzinho.









Proljeto tramitava na Câmara desde janeiro
Projeto tramitava na Câmara desde janeiro

Confira o voto de cada vereador:

Por 7 votos a 6, a Câmara de Capelinha (MG) rejeitou o projeto de criação do serviço de mototáxi no município. A votação ocorreu durante reunião extraordinária na noite desta quinta-feira, 20 de abril. Confira como votou cada vereador:
Favoráveis:
– Tozão
– Ci Mecânico
– Cleuber Luiz
– Gilmar Santos
– Avenir
– Santo Capeta
Contra
– João Maracujá
– Wilson Coelho
– Lú do Piedade
– Ci da Farmácia
– Lé Neves
– João Dodó
– Gedalvo Fernandes - Presidente da Câmara Municipal
Estava 6 x 6. Como presidente, Gedalvo Fernandes deu o voto de minerva contra o projeto de lei que  foi rejeitado.
O Projeto de Lei foi protocolado na Câmara na quarta-feira, 25 de janeiro, data da primeira reunião da legislatura 2017-2020. Mas como não foi aprovado, a licitação não pode ser executada pela prefeitura.
À época, o prefeito Tadeuzinho disse confiar na parceria do Poder Legislativo para atender a o anseio dos capelinhenses: “Sei que os vereadores têm a mesma intenção que eu, que é de trabalhar em prol do povo da nossa cidade. O Executivo e o Legislativo, tenho certeza, vão atuar juntos pelo município. Confio que este projeto será aprovado”, ressalta.
De acordo com a prefeitura, se caso o projeto tivesse sido aprovado, seriam disponibilizadas 7 licenças de funcionamento de mototáxi. Isso, levando em conta o número de habitantes , cerca de 40 mil, em todo municipio, sendo 25 mil na cidade e cerca de 15 mil na zona rural.
Tramitação

O projeto chegou à Câmara no dia 25 de janeiro, foi apresentado em plenário e repassado para as comissões permanentes da Casa Legislativa. As comissões conferiram a legalidade, o impacto financeiro que a implantação de mototáxi causará ao município e ainda uma série de questões pertinentes ao assunto. No entanto, devolveram o projeto à Prefeitura sugerindo algumas modificações, que foram atendidas.

A Comissão de Transportes da Câmara solicitou um Estudo de Viabilidade Técnico-Econômica do serviço de mototáxi no município. E pediu ainda a inclusão de dados sobre os casos de infrações e as respectivas penalidades. 
Principais pontos do projeto 
 O projeto está em conformidade com a Lei Federal nº 12.009/09, de 29 de julho de 2009. Para trabalhar como mototaxista em Capelinha, será preciso: 
– Ter completado 21 (vinte e um) anos; 
– Possuir habilitação, por pelo menos 2  anos, na categoria; 
– Ser aprovado em curso especializado, nos termos da regulamentação do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito); 
– Estar vestido com colete de segurança dotado de dispositivos retro refletivos, nos termos da regulamentação do CONTRAN; 
– Não ser concessionário, permissionário ou autorizatário de qualquer serviço público de transporte no município de Capelinha, inclusive transporte escolar; 
– Não possuir qualquer vínculo empregatício com o município de Capelinha; 
– Morar em Capelinha; 

– Não ter problemas com a Justiça – apresentar certidões negativas atualizadas das varas criminais (Estadual e Federal); 
– Ser autônomo; 
– Ser aprovado em licitação (a ser realizada pelo município); 
– Estar com documentação de trânsito atualizada; 
– Não ceder, vender, alugar ou emprestar a concessão de mototáxi para outras pessoas; 
– Ter moto com potência mínima de 124 cilindradas e máxima de 250 cilindradas, com 2 anos de fabricação; 
– Usar placa de aluguel (vermelha), que será fornecida pelo município; 
– Usar moto em cor padronizada estabelecida pelo município de Capelinha; 
– Usar adesivo de indicação de mototáxi, afixados nos dois lados do tanque de combustível; 
– Manter carenagem original da moto; 
– Usar equipado com protetores de escapamentos capazes de evitar queimaduras nos passageiros;
– Usar identificação visível nos capacetes, com numeração fornecida pelo município (tanto do motorista quanto do passageiro); 
– Manter sempre em dias os equipamentos de segurança e de redução da emissão de gases poluentes e ruídos; 
– Possuir na moto aparador de linha e antena corta-pipas, nos termos de regulamentação do CONTRAN; 
– Possuir protetor de motor (mata- cachorro), fixado no chassi do veículo, destinado a proteger o motor e a perna do condutor em caso de tombamento, também nos termos de regulamentação do CONTRAN;
– Comprovar sempre que solicitado, através de atestado médico fornecido por profissional da rede pública municipal, o gozo de boas condições físicas e mentais; 
– Conduzir um só passageiro de cada vez;
– Transportar crianças somente se estas tiverem mais de 10 (dez) anos completos e portando documento que comprove a idade; 
– Garantir o respeito ao passageiro, valorizando os aspectos de polidez, urbanidade e cidadania; 
– Identificar-se sempre que solicitado à fiscalização; 
– Apresentar-se no exercício do trabalho de maneira higiênica e devidamente trajado; 
– Dirigir o veículo de maneira compatível com a segurança e conforto do usuário, respeitando a legislação de trânsito vigente; 
– Não transportar pessoas que não possam ou não conseguem se equilibrar de forma correta.
Comentário do BLOG:
A sociedade de Capelinha é dinâmica, empreendedora, mas seus representantes políticos andam bem atrás. O caso do transporte coletivo mostra bem isso. Grande parte da população vive nos bairros nas partes altas da cidade, tendo necessidade de descer as grandes ladeiras para chegar ao centro comercial, onde estão também o mercado municipal, os serviços de banco, consultórios, laboratórios, escritórios de contabilidade, loterias, etc.

O transporte bairro-centro e bairro-bairro é de extrema necessidade.
Os idosos, as mulheres, crianças e pessoas com difícil mobilidade, de famílias de baixa renda, são os que mais sofrem.
Os vereadores de oposição fazem uma quebra de braço com o prefeito Tadeuzinho, prejudicando a cidade inteira. Gedalvo reclama do ex-vereador e colega, agora prefeito, Tadeuzinho, que não procura diálogo com o Poder Legislativo.
Nesta toada,  o povo é quem leva os prejuízos. Com certeza, com a instalação dos serviços de moto-táxi baixariam as tarifas dos táxis automóveis. Qualquer corrida em Capelinha fica em R$ 10,00. Se for à noite, cresce mais 50%, elevando para R$ 15.
Transporte coletivo subiu 250%. Ainda quer aumentar a passagem para R$ 3.
O transporte coletivo é monopolizado pela empresa Únícabus. Começou a rodar, em agosto de 2012, com o preço de R$ 1. Poucos meses depois, passou para R$ 1,25. Depois, pulou para R$ 1,50, com menos de um ano de serviços. Depois, passou para R$ 1,80, R$ 2,00,  R$ 2,20 e R$ 2,50. Já fala em aumentar para R$ 3,00. 
Aumentou em 250%, em 5 anos, de agosto de 2012 a março 2017, enquanto a inflação alcançou apenas 40,07%, do IPC - Índices de Preço ao Consumidor. São 210% de majoração descarada.
Em cidades como Montes Claros, onde o ônibus de transporte coletivo roda por até de 15 km, cobra-se uma tarifa de R$ 2,60. Em Capelinha, o trajeto não chega a 5 km. 
Não há nenhuma regulação da Prefeitura. A Únicabus monopoliza o serviço. Não é apresentado uma planilha para uma avaliação dos Poderes Executivo, Legislativo e sociedade civil. Algum cidadão poderia provocar o Ministério Público para defender os interesses dos cidadãos. 
 A sinalização do trânsito, principalmente nos locais de estacionamento, é cada um por si. Cada estabelecimento cria , em frente ao seu comércio, uma área exclusiva de estacionamento, fincando placas por conta própria.
Fote: ASCOM Prefeitura e outras fontes individuais.