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terça-feira, 3 de março de 2020

Agricultores familiares implantam hortas circulares no Vale do Jequitinhonha e norte de Minas


Hortas circulares complementam renda de famílias de agricultores familiares.

O modelo funciona com curvas de nível, o que faz com que toda água que cai na horta permaneça dentro dela. Foto: Kelson Tolentino.
Um projeto da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) ajuda na alimentação e complementa a renda de famílias do Norte do estado e do Vale do Jequitinhonha. A empresa auxilia na construção de hortas circulares agroecológicas em associações ou em áreas de agricultura familiar como alternativa às formas convencionais de produção de vegetais.
A ideia de implementar hortas circulares no Norte de Minas surgiu em 2009, com objetivo de alimentar os próprios funcionários da Epamig nos cinco campos experimentais da empresa na região. No início, toda produção era dividida entre os trabalhadores. A equipe local começou a utilizar água captada da chuva para irrigar a horta durante os períodos de estiagem. O modelo funcionou e o projeto começou a ser levado para outros municípios mineiros.
De acordo com a pesquisadora da Epamig, Polyanna de Oliveira, o modelo de plantios circulares agroecológicos já existia em outros locais do país. Mas, aliada ao uso racional da água, a iniciativa se destacou no Norte de Minas como resposta às necessidades de famílias e pequenos agricultores.
“As famílias da região que possuem hortas circulares implementadas utilizam a produção para consumo próprio e vendem o excedente. Em um mês, uma horta média consegue alimentar facilmente uma família de cinco pessoas”, avalia Polyanna.
As hortas não são circulares por acaso. O modelo funciona como curvas de nível, o que faz com que toda água que cai na horta permaneça dentro dela. Desse modo, é possível reduzir a erosão em locais com maior declive e, em locais planos, aproveita-se melhor a água da irrigação. Outra vantagem é a redução do deslocamento dos trabalhadores.
A pesquisadora afirma que importa não o tamanho das hortas, mas a diversidade delas. Polyanna afirma que, mesmo em regiões semiáridas, é possível plantar de tudo: hortaliças folhosas, tubérculos, legumes, verduras, grandes culturas e até fruteiras. As cercas das hortas são aproveitadas para plantio de maracujá e de feijão guandu. Já o centro é reservado para galinheiro, tanque de peixes ou espiral de ervas aromáticas, medicinais ou condimentos.
“A escolha do que colocar no centro da horta depende da disponibilidade de área, água e do interesse do produtor. No total, já construímos 12 hortas em municípios do Norte de Minas, no Vale do Jequitinhonha e também na região Leste do estado. No mínimo 50 famílias já foram diretamente beneficiadas com esse projeto. Indiretamente o número é ainda maior”, conclui Polyanna.
Exemplo de beneficiados indiretamente são escolas, creches e famílias do entorno da Associação Mãos de Fada, em Leme do Prado (MG). A associação recebeu auxílio da Epamig no passado e hoje trabalha com hortas circulares para atender a comunidade. “Nossa horta circular veio para ajudar. Uma excelente ideia que supre exatamente a demanda por alimentos sem agrotóxicos  na nossa microrregião, e alimentos sem agrotóxicos”, celebra a presidente da entidade, Eliane Xavier.
Fonte: Agência Minas

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

EMBRAPA CRIA CENOURA ORGÂNICA QUE PODE RENDER O DOBRO DE PRODUÇÃO

Plantação de cenoura dispensa o uso agrotóxico e as sementes colhidas podem ser aproveitadas em novos plantios.

Por Agência Brasil, 12/02/2020 às 09:18
atualizado em: 12/02/2020 às 09:34
Foto: Pixabay
Pixabay

Os produtores rurais brasileiros em breve terão a opção de comprar um novo tipo de semente de cenoura para cultivo orgânico, já batizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como Cenoura BRS Paranoá.
As hortaliças da nova cenoura são mais resistentes à queima de folhas, principal doença da cultura, causada por bactérias e fungos, e não exigem adição de agrotóxicos para evitar pragas. Ela também é mais tolerante a problemas causados por microrganismos do solo (nematoides das galhas) que afetam o crescimento da raiz.
A expectativa é que as lavouras da Cenoura BRS Paranoá sejam mais produtivas do que as plantações com as sementes disponíveis no mercado. “Tem potencial produtivo de pelo menos o dobro da cenoura híbrida”, disse Agnaldo Carvalho, pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal.
A polinização desenvolvida pela Embrapa é aberta, não precisa ser induzida como ocorrem com as sementes híbridas atualmente mais usadas.
Menor custo
O método tem custo menor, e os produtores, quando capacitados, podem aproveitar as sementes colhidas para o próximo plantio, evitando o gasto com a aquisição de novas sementes.
Ainda neste semestre, a Embrapa deverá lançar um edital de oferta pública da semente da BRS Paranoá para que empresas privadas licenciem a tecnologia, já registrada, e multipliquem e vendam as sementes.
A estatal de pesquisa agropecuária recomenda o plantio da semente da BRS Paranoá entre outubro e março, período de entressafra de cultivares tradicionais, quando há mais calor e chuvas (típico do verão), e o preço da cenoura tende a ser melhor para os pequenos produtores orgânicos. A colheita deve ser feita 90 dias após a semeadura.
A produção de cenoura orgânica é minoritária no Brasil, mas o número de pessoas que preferem comprar o vegetal orgânico cresce 20% ao ano.
O alimento fornece ao organismo minerais e carboidratos, e é rico em carotenoides (responsável por sua pigmentação) que, no corpo humano, são convertidos em vitamina A.
De acordo com nota da Embrapa, a cenoura BRS Paranoá tem a mesma cor, aspecto e tamanho das cenouras híbridas.
“As raízes da nova cultivar atendem também ao padrão comercial exigido pelo mercado consumidor: elas têm de 16 cm a 20 cm de comprimento e por volta de três centímetros de diâmetro”, descreve o texto.
O desenvolvimento da nova cenoura ocorreu na última década. Entre 2010 e 2016, a Embrapa fez testes em Minas, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal. A cenoura pode ser plantada em todo o país, à exceção da região Norte por causa do clima.
Os principais polos produtores estão São Gotardo (MG), Cristalina (GO), Mauá da Serra (PR), Barbacena (MG), Caxias (RS) e Irecê (BA).A maior parte da produção é mecanizada. O país destina 20 mil hectares para a plantação da hortaliça.
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Produção de uva no Vale do Jequitinhonha tem 50% de mais produtividade

Aumento de cerca de 50% na produtividade nas lavouras de Morrinhos facilitou ainda o acesso das uvas ao mercado. (Foto: Divulgação EMATER-MG).
Uma comunidade quilombola, do município de Berilo, no Vale do Jequitinhonha, está colhendo os frutos de um trabalho feito para melhorar a produção de uva. A atividade é tradição entre os agricultores do local, que a mais de 60 anos cultivam as videiras com técnicas passadas de pai para filho. Porém, um problema estava persistindo: a baixa produtividade.
Em 2013, a Emater-MG iniciou um trabalho para revigorar a produção da comunidade Morrinhos. A ideia foi usar tecnologias simples, que pudessem melhorar a produtividade, o manejo da cultura e a renda das famílias. “Antes o processo de produção era bastante rústico, com alto consumo de água por causa da irrigação feita por sulco, com uma tecnologia inadequada. Isso trazia baixa qualidade e produtividade. Havia também grandes perdas devido ao ataque de pássaros”, explica o técnico da Emater-MG Milton Machado de Oliveira.
Os produtores da comunidade quilombola adquiriram kits de irrigação por microaspersão (sistema que lança gotículas de água), madeiras de eucalipto tratadas para a reconstrução das estacas, além de telas de proteção contra o ataque de pássaros. De acordo com Oliveira, com as novas estacas de eucalipto, foi possível esticar melhor os arames que sustentam as videiras. O problema com ataque dos pássaros também foi resolvido.
O técnico da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), afirma que a substituição do sistema de irrigação, de sulco para microaspersão, reduziu significativamente o consumo de água. “Outra ação adotada foram as podas feitas no período certo, que permitiram escalonar a produção para colher mais vezes durante o ano”, conta. Ele lembra que antes havia apenas uma colheita anual; agora são três. 
Valorização
“O Vale do Jequitinhonha sempre teve uma fama muito ruim, chamado de Vale da Fome,  Vale da Miséria. A gente quer mudar isso, produzindo com qualidade”, afirma a agricultora Rita Dutra. A melhoria nas cinco parreiras que possui resultou em uma produção de 12 mil quilos de uva por ano.
O uso de eucalipto tratado para escorar as videiras aprimorou o manejo, diminuindo a necessidade de mão de obra. “Antes a gente usava madeira do mato, apodrecia muito e não sustentava direito a parreira. A irrigação também ficou bem melhor”, diz a agricultora. Hoje ela vende para escolas públicas, hospitais, feiras e para os vizinhos, e lembra que o trabalho do técnico da Emater-MG foi fundamental para as mudanças na produção da fruta. 
Para conseguir melhorar as condições das parreiras, alguns agricultores obtiveram recursos financeiros do Brasil Sem Miséria (BSM), programa do governo federal que tem como objetivo a inclusão social e produtiva de famílias que vivem em situação de vulnerabilidade no meio rural. As famílias recebem um fomento no valor de R$ 2,4 mil para executar pequenos projetos produtivos, como a implantação de hortas e pomares e a criação de pequenos animais. Os beneficiários recebem ainda toda a assistência técnica da Emater-MG, para viabilizar acesso aos recursos financeiros e executar seus projetos.
A agricultora Andréa Lopes foi uma das beneficiadas pela assistência técnica e pelos recursos do programa. Ela conta que a situação mudou muito na pequena parreira que cultiva. “Melhorou demais. Ficou mais fácil de irrigar. Depois que colocamos a tela de proteção, não perdemos mais tempo espantando os passarinhos”, afirma.
O trabalho de melhoria da produção de uvas na comunidade Morrinhos beneficiou dez famílias. “A iniciativa restabeleceu o otimismo quanto à atividade, os agricultores têm investido na expansão de seus cultivos. Todos os produtores participantes do processo adotaram como premissa o cultivo em bases agroecológicas, minimizando o uso de adubos químicos e dispensando o uso de agrotóxicos”, destaca o técnico  Milton de Oliveira.
O aumento de cerca de 50% na produtividade nas lavouras de Morrinhos facilitou ainda o acesso ao mercado. A maioria prefere vender em feiras, não só em Berilo, mas também em municípios vizinhos como Araçuaí e Virgem da Lapa. Com mais oferta da fruta, alguns também conseguem comercializar para programas institucionais de compra de alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que estabelece uma cota mínima para que as escolas comprem produtos da agricultura familiar.
Fonte: Agência Minas e EMATER - MG