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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Perdeu, Bolsonaro! STF garante Conselhos que o desgoverno queria extinguir

O desgoverno Bolsonaro baixou decreto extinguindo todos os conselhos que fazem parte da administração pública, proibindo a participação da sociedade civil e o consequente controle social. O PT entrou com uma ação de inconstitucionalidade. O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quarta-feira, 12.06.19, para suspender a validade de parte do decreto de Jair Bolsonaro que extinguiu os colegiados de controle social. 

A medida, publicada por Bolsonaro quando ele comemorava 100 dias de governo, em abril, estabelece que, a partir de 28 de junho, seriam extintos quaisquer conselhos, comitês, comissões, salas, fóruns e outras denominações dadas a colegiados, o que atinge 2.553 instituições. Ou seja, o desgoverno Bolsonazi não quer nada de controle social.

O tema foi levado a julgamento após o Partido dos Trabalhadores (PT) entrar com um pedido de ação direta de inconstitucionalidade contra o decreto, ao questionar que há necessidade de lei para extinguir colegiados da administração pública federal, incluídos aqueles mencionados em leis nas quais não conste a indicação de suas competências ou dos membros que o compõem.

O partido ainda sustenta que a criação e extinção da administração pública é matéria exclusiva de lei, de iniciativa do Congresso Nacional e que a incerteza a respeito dos colegiados que são ou não objeto da presente medida extrema representa violação ao princípio da segurança jurídica. Além disso, o PT alega ofensa aos princípios republicano, democrático e da participação popular.

Seis dos 11 ministros votaram para derrubar a medida que baniu parte dos conselhos, comissões, fóruns e outras denominações de colegiados da administração pública. Os demais magistrados ainda devem manifestar seus votos nesta tarde. 

Os ministros Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes votaram pela suspensão de parte do decreto e declararam que a medida não poderia extinguir colegiados formados a partir de lei. 
Outros quatro ministros votaram contra a totalidade do decreto, impedindo a extinção de todos os conselhos, ainda que não tenham sido criados por lei. Integram esse grupo Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Cármen Lúcia.
O primeiro ministro a votar foi Marco Aurélio, relator da ação. Segundo ele, ao assinar o decreto, Bolsonaro quis “escantear o Legislativo de tal processo”. “Os fins não justificam os meios. A louvável preocupação com a racionalização do funcionamento da máquina pública e a economia dos recursos públicos não legitima atropelos, atalhos à margem do figurino legal”, declarou.

Marco Aurélio afirmou que é necessário garantir a participação popular nas políticas de Estado. “Ante o cenário descrito, a conclusão constitucionalmente mais adequada em sede precária e efêmera consiste em suspender, até o exame definitivo da controvérsia, a extinção por ato unilateral editado pelo chefe do Executivo de órgão colegiado que, contando com acento legal em lei, viabilize a participação popular na condução das políticas públicas mesmo quando ausente, não importa, ausente na lei, expresse indicação de suas competências ou dos membros que o compõem”, argumentou.

Ao fim do julgamento, com o voto de todos os ministros, ficará definido se a decisão atingirá todos os 2.593 conselhos administrativos existentes hoje, ou se apenas parte deles.

É a primeira vez que o plenário do STF examina a legalidade de um ato de Bolsonaro. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Xerife de São Paulo assume combate à corrupção, em Minas.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Direito à vida pública, por Rudá Ricci


O DIREITO À VIDA PÚBLICA
Rudá Ricci, para o CRESS/MG

Um dos autores liberais mais festejados nos últimos anos foi o economista indiano Amartya Sen. Sua tese fundamental é que o desenvolvimento de um país está vinculado às oportunidades que ele oferece à população de fazer escolhas e exercer a sua cidadania, o que inclui a garantia dos direitos sociais básicos, como saúde e educação, como também segurança, liberdades básicas, habitação e cultura. Sen vincula de maneira original a noção de liberdade ao conceito de desenvolvimento como sendo, simultaneamente, um processo e uma oportunidade. Introduz a noção de cidadão como “agente” e define a pobreza e o desemprego como “privação de capacidades básicas”[1].
O autor indiano é, até hoje, referência para organismos internacionais. Sua definição cabe como uma luva para compreendermos como, mesmo para aqueles que se apoiam no liberalismo e, portanto, na defesa da propriedade privada e da liberdade de mercado, o que se passa nas cidades brasileiras é amplamente reprovável, como privação das capacidades básicas da vida humana.
O modelo de desenvolvimento em curso, de forte inspiração rooseveltiana promoveu nos últimos anos a nacionalização de políticas de infraestrutura repetindo os erros do passado. Crescemos sem planejamento, ao bel prazer dos gestores locais que acessavam convênios para demonstrar influência e capacidade gestora. Com 65% do orçamento público concentrado na União, é fato que os municípios deixaram de ter capacidade de investimento autônomo e se transformaram em gerentes de programas federais. Contudo, a lógica de implantação dos programas de desenvolvimento urbano foram, desde o início, excludentes e promoveram uma ciranda que movimentou grandes empreiteiras e especuladores imobiliários. Segundo Ermínia Maricato[2], em 2009, a partir do lançamento do PAC II e do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, teve início um boom imobiliário de fortes impactos na dinâmica das cidades brasileiras. Em 2010, o PIB brasileiro atingiu o impressionante patamar de crescimento de 7,5%. Ocorre que o PIB do setor imobiliário foi de 11,7%. O investimento de capitais privados no mercado residencial cresceu 45 vezes, passando de 1,8 bilhão de reais em 2002 para 79,9 bilhões de reais em 2011. Os subsídios governamentais foram generosos, atingindo 5,3 bilhões de reais em 2011. Com tal pujança e bonança, todo esboço da reforma urbana que se expressava no Estatuto da Cidade foi engavetado. O preço do imóvel disparou nos grandes centros urbanos: 153% em São Paulo (entre 2009 e 2012) e 184% no Rio de Janeiro (no mesmo período).
Praças da Juventude e tantos outros equipamentos urbanos e sociais foram se multiplicando ao longo das cidades brasileiras sem observar qualquer preocupação com a reorganização da ocupação do solo ou alteração dos custos de locomoção ou mesmo necessidade de reestruturar a oferta de serviços públicos. Os prefeitos não pensaram no futuro muito distante da próxima eleição.
A alegria contagiante que envolveu empreiteiras e todo setor da construção civil motivou o que muitos autores denominaram de “gentrificação” dos centros urbanos[3]. O termo, oriundo do inglês (gentrification), traduziria a intervenção em bairros, em especial centrais, modernizando velhas construções urbanas para ocupação de empresas e população de alta renda. Tal modernização arquitetônica e funcional desses territórios expulsou rapidamente a população de baixa renda, de maneira direta ou mesmo em função da disparada dos custos dos imóveis ou dos bens e serviços oferecidos naquelas localidades.
A nova dinâmica desenvolvimentista foi potencializada com os megaeventos esportivos programados para ocorrerem no Brasil a partir de 2013. Estudo do arquiteto Lucas Faulhaber, da Universidade Federal Fluminense (UFF), estima que 64 mil famílias foram alvo de remoções por obras de infraestrutura somente no Rio de Janeiro somente como preparação da Copa das Confederações. Os doze Comitês Populares da Copa estimam que 170 mil pessoas serão desalojadas em todo o país para a realização de grandes projetos urbanos no contexto dos megaeventos esportivos. De acordo com Raquel Rolnik, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Moradia Adequada e urbanista da Universidade de São Paulo (USP), a primeira violação está no direito à informação já que entidades de representação social têm dificuldade no acesso aos planos de ações governamentais. As indenizações e realojamentos propostos também podem ser vistos como violações já que o reassentamento em locais com menor disponibilidade de serviços e emprego viola o direito de moradia adequada, que inclui o acesso aos demais direitos humanos educação, saúde, trabalho. Roknik também atenta para a falta de reconhecimento ao direito de posse, assegurado pela legislação brasileira e por acordos internacionais firmados pelo Brasil.
Na esteira desta lógica desenvolvimentista desordenada, a opção pelos veículos individuais agravou a vida urbana. Em 2011, o número de automóveis em doze metrópoles brasileiras era de 11,5 milhões. Em 2011 quase dobrou, atingindo 20,5 milhões.
Maricato denuncia, por seu turno, a acomodação de entidades e lideranças que até então lideravam o movimento de reforma urbana em nosso país.
E é aqui que foco minha atenção neste artigo.
Nas últimas duas décadas, vivemos a implantação de um programa rooseveltiano, apoiado num pacto desenvolvimentista que tem num vértice o Estado orientador e concentrador de recursos públicos para investimento e que se desmembra em outros dois vértices: a formação de um potente mercado consumidor (via aumento real de salário mínimo, crédito subsidiado e programas de transferência de renda) e regulação e orientação para investimentos privados (através da “carta de investimentos” inscritos no PAC e empréstimos do BNDES).
Mas o programa roosveltiano brasileiro acrescenta duas novidades em relação ao modelo original: o financiamento de organizações populares e de representação de massas, como organizações não governamentais, articulações por direitos civis e sociais e centrais sindicais. Aqui está a origem para o que Maricato indica como acomodação de lideranças sociais.
O programa rooseveltiano também consolida uma antiga pretensão de governantes anteriores: a coalizão presidencialista, que cria uma forte intimidade governista e governamental entre Executivo e Legislativo. Mas, neste artigo, me concentro na análise da absorção das entidades de representação social no interior do aparelho de Estado.
No mundo sindical, o movimento foi o mesmo que o observado na Europa e que recebeu a denominação de neocorporativismo. O conceito sugere o ingresso das estruturas sindicais em arenas e fóruns estatais que definem a agenda e prioridades governamentais. Na prática, onde este fenômeno se instalou, ao invés de gerar real controle social – ou participação – da base sindical, acabou por gerar distanciamento da cúpula sindical em relação às suas bases. No Brasil, este fenômeno segue a passos largos. Em 2012, as centrais sindicais receberam repasses federais da ordem de 160 milhões de reais referentes ao imposto sindical, o dobro das transferências ocorridas em 2008, quando iniciaram os repasses. A maior parte dos recursos fica com as duas maiores centrais do País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. Neste ano, a CUT recebeu R$ 44,5 milhões até outubro, e a Força ficou com R$ 40 milhões. Os recursos representam entre 60% e 80% do orçamento total das centrais. Destaca-se, ainda, a regulamentação, no mesmo período, da participação de dirigentes sindicais nos conselhos de empresas estatais federais. O jeton pago a cada conselheiro chega a 8 mil reais, caso da Petrobrás. Há registros de jetons que variam de 3 mil reais (suplente do conselho da Breasilprev) a 15 mil reais (conselho da Funpresp). Há, ainda, a inversão do ideário sindical observado na gestão dos fundos de pensão que passaram a adquirir ações de bancos privados e até mesmo indústria bélica.
No campo da ONGs, a crise de financiamento externo aberto na segunda metade dos anos 1990 também gerou uma inflexão política. No século XXI espraiou-se como solução à sobrevivência dessas entidades da sociedade civil a assinatura de convênios com órgãos estatais. Na prática, os convênios terceirizaram para muitas organizações não-governamentais os serviços assistenciais antes executados pelo Estado.
Tal inversão foi programada pelo governo federal. No início da primeira gestão Lula, o participacionismo teve lugar certo. O programa Fome Zero foi entregue a lideranças católicas, expoentes da Teologia da Libertação nos anos 1980. A estrutura de gerenciamento do programa adotou a lógica da cogestão e foi compreendida como escola de formação de cidadãos para o controle de políticas públicas. O conceito de empoderamento foi fartamente utilizado neste período, que significaria ação coletiva ou participação coletiva em espaços privilegiados de decisões, ampliando o conceito de direito político. Assim, se orientaria pela superação de qualquer dependência social e dominação política. Era, obviamente, um discurso que confrontava o Estado patrimonialista. Contudo, já no final do primeiro ano de gestão já era visível a mudança de foco do núcleo dirigente. O programa foi entregue à gestão dos prefeitos, o que provocou profundo descontentamento em Frei Betto e Ivo Poletto que logo pediram afastamento das funções que assumiram no gerenciamento deste programa. As razões do afastamento não deixam dúvidas nos livros que os dois protagonistas publicaram meses depois de se afastarem do governo federal.
Outra iniciativa governamental foi a instalação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), um amplo conselho consultivo, composto por empresários e representação da sociedade civil para análise e proposição da agenda nacional. As entidades da sociedade civil foram unânimes em criticar a pouca efetividade de suas sugestões e a escuta privilegiada que o governo fazia das proposições empresariais.
Finalmente, esboçou-se um frágil mecanismo de participação no controle do orçamento federal e políticas sociais com a criação de Comitês Estaduais de elaboração do Plano Plurianual (PPA) federal e apoio para realização de conferências nacionais envolvendo uma ampla agenda temática. Foi a primeira e única tentativa, abortada no segundo ano de gestão, do governo federal criar mecanismos de controle social sobre a execução do seu orçamento.
Finalmente, o lugar dos conselhos de gestão pública (setoriais ou de direitos) e as conferências nacionais de direitos. Foram mais de 70 realizadas nos elaborado por Ana Claudia Chaves Teixeira, Clóvis Henrique Leite de Souza e Paula Pompeu Fiuza de Lima revelou o movimento errático desta novidade na gestão pública que tinha por objetivo introduzir elementos de cogestão na tomada de decisão daspolíticas sociais brasileiras[4]. Os autores realizaram um balanço das 74 conferências nacionais realizadas entre 2003 e 201052. Na maioria dos casos, este evidente esforço de mobilização social não recebeu nenhuma informação devolutiva pelo Estado, não se sabendo se suas resoluções foram incorporadas efetivamente nas ações ou estratégias de governo. Poucas conferências estão instituídas em lei, sendo sua vinculação com conselhos de gestão pública ou com processos de planejamento como o Plano Plurianual (PPA) é quase inexistente. O que se observa é a realização de eventos desconectados dos calendários de formulação governamental, dificultando a possibilidade de influência das propostas nos planos de ação estatal.
Em suma, vivemos no último período, no que tange à participação da cidadania no controle ou gestão de políticas públicas federais um duplo fenômeno desagregador.
De um lado, os canais institucionais de participação perderam lugar no processo de tomada de decisão e foram reduzidos à condição de meras formalidades burocráticas ou administrativas da lógica de Estado. De outro, a absorção das entidades de mediação social (estrutura sindical, organizações não-governamentais e entidades confessionais) pelo aparelho de Estado interditou a mediação de conflitos locais. Este era o papel fundamental desempenhado por tais entidades desde a década de 1980. Dada sua capilaridade e multiplicidade de territórios e segmentos sociais por elas atendidos, era possível criar um arranjo de demandas das populações mais marginalizadas ou tomadas pelo sentimento de injustiça social. Numa sociedade desigual como a brasileira, a coleta de demandas e frustrações e transformação em pauta unificada é essencial para os órgãos públicos orientarem sua agenda. Sem isto, as frustrações se multiplicam e se fragmentam numa miríade de lamentações e tensões cotidianos (até mesmo conflitos latentes).
Foi exatamente isto que se percebe a partir de 2013.
O primeiro alerta apareceu entre 18 e 19 de maio. Um boato dava conta da extinção do Programa Bolsa Família. Em três dias, 920 mil beneficiários sacaram o saldo em suas contas. A confiança nas pretensões do governo federal pareciam pouco sólidas.
Em seguida, em junho, explodem os protestos de rua que em três semanas levaram milhões de brasileiros a apresentarem um mosaico de demandas, pulverizadas e fragmentadas em cartazes que expressavam desejos pessoais, no máximo grupais.
Os governantes se assustaram. Não compreendiam o que se passava nas ruas. Compreensível. Justamente porque as ruas expressaram, em síntese, o confronto entre o projeto de Governo e os projetos de parte da sociedade que não possui canal de expressão há pelo menos uma década.
As cidades tornam-se o locus  central deste descompasso.
Vivemos um projeto desenvolvimentista executado à revelia das populações menos abastadas. Um projeto conduzido por elites políticas e econômicas. Algo que remonta à tradição política e conformação das políticas públicas de nosso país.
Os governantes se assustaram – e ainda se assustam – com o grito polifônico das ruas. Não entendem o que ocorreu após seus esforços para mudar o país e coloca-lo na posição de potência econômica mundial. Não entendem porque, em última instância, não estiveram nas ruas. Não dialogaram. E interditaram as possibilidades de vida e projetos de família. Tutelaram sonhos.
Se ao menos tivessem lido Amartya Sen......



[1] Cf. SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade, São Paulo: Companhia das Letras, 2012. Páginas 34 e 36.
[2] Cf. MARICATO, Ermínia. É a questão urbana, estúpido!, In MARICATO, Ermínia et al. Cidades Rebeldes. São Paulo: Boitempo/Carta Maior, 2013, p. 23 e seguintes.
[3] O termo gentrification deriva de "gentry" e do francês arcaico "genterise" que significa "de origem gentil, nobre". A expressão da língua inglesa gentrification foi usada pela primeira vez pela socióloga britânica Ruth Glass, em 1964, ao analisar as transformações imobiliárias em determinados distritos londrinos. Outro autor que se tornou referência nos estudos do fenômeno foi o geógrafo britânico Neil Smith, que identificou os vários processos de gentrificação em curso nas décadas de 1980 e 1990.
[4] Cf. TEIXEIRA, Ana Cláudia; SOUZA, Clóvis Henrique Leite & LIMA, Paula Pompeu Fiuza. “Arquitetura da
Participação no Brasil: uma leitura das representações políticas em espaços participativos nacionais”.
Texto para Discussão 1735, Rio de Janeiro: IPEA, 2012. Originalmente apresentado no 35º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós‐graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu, em outubro de 2011, no Grupo de Trabalho (GT) Controles Democráticos e Legitimidade.

sexta-feira, 21 de março de 2014

A força das manifestações: Quando o povo descobre o seu poder



“O povo não tem amigos.
O melhor amigo do povo
 é o povo organizado”.
(Graciliano Ramos)

Por Alexandre Macedo

Com certeza, junho do ano de 2013 é um mês que ficará eternamente lembrado na história brasileira. Ninguém nunca esquecerá do nosso “inverno primaveril”. Primavera não exatamente como uma simples estação do ano, mas como flores! Sim, flores! Aquelas mesmas que antecedem os frutos. E os frutos do envolvimento político da sociedade são diversos e sempre resultam em justiça, oferta qualificada de serviços públicos, saúde, assistência social, habitação, educação, enfim, tudo que é necessário a uma vida digna e justa, assim como prevê nossa Constituição Brasileira.

Já estava tardando o dia em que a população reconhecesse que a nossa tal “democracia representativa” não funciona por si só e que ela, só tem sentido, quando o povo também assume o seu papel no processo. É chegada a hora de entendermos que o ato de votar é muito pouco para alcançarmos as mudanças que desejamos ao depositar nossa confiança em alguém por meio de um mero voto. Até mesmo porque os nossos representantes não são super heróis! São pessoas comuns, que também saíram do meio do povo para se ascenderem ao Executivo e Legislativo. O simples fato de vestirem terno e gravata não fará com que eles sejam mais sábios e que não precisarão do povo para concretizarem grandes projetos.  Vou ser um pouco mais claro, representantes políticos sem o povo são iguaizinhos “baratas-tontas”, um “bando de perdidos”, pois é justamente no exercício político juntamente com a participação do povo é que eles se aperfeiçoam enquanto agentes públicos. 

Representantes políticos sem o povo são como empregados sem patrão, se ninguém planeja e diz o que é para o empregado fazer, ele ficará o dia todo sentado sem produzir nenhum resultado. Assim é a relação entre o povo e seus representantes políticos.  Entendemos então que o representante político  nunca executará o seu ofício se o patrão (povo) não ordenar. Vejamos, se é assim, temos que manter uma relação estreita com eles, afinal, eles são os nossos representantes, ou seja, estão no ”nosso lugar”, devem fazer aquilo que ordenamos, se não fizerem, não merecem nosso voto e estão traindo aqueles que os elegeram. 
Para que uma relação eficaz entre representante e representado seja frutífera é preciso que estabeleçamos a pauta. Por exemplo: O que queremos para a nossa cidade? Quais são os seus problemas? Quais são as prioridades? Como concretizar? Há verbas para tal? Partindo dessas indagações basta criarmos alguns “GT´s”, ou seja, “Grupos de Trabalho”. Precisamos, então, escolhermos os assuntos elencados nas discussões e intimarmos nossos vereadores e prefeitos para comparecerem às reuniões. Pronto! Fácil não é? Uma dúvida: “Mas será que eles irão nas reuniões?!” Se forem convidados e não comparecerem, “farão feio”, provarão que não são verdadeiros representantes e não merecem seu voto, pois um verdadeiro político sempre está presente onde há um coletivo organizado discutindo melhorias para o contexto em que vivem.

Dessa lição não podemos nos esquecer, ou seja, para que nossos representantes políticos possam executar bons trabalhos é preciso que o povo imponha as tarefas, que discuta-as conjuntamente e acompanhe a execução, caso contrário nada vai acontecer. Se ninguém aponta os problemas, as coisas irão sempre parecer normais. 

Lembremos que, após as manifestações, é preciso agora discutir as estratégias para que o nosso grito se materialize em ações concretas rumo ao encontro daquilo que aspiramos. Uma boa estratégia seria a de ocuparmos e criarmos espaços de decisão e participação política. Que tal criar Grupos de Trabalhos sobre a cultura, o lazer e a saúde em sua cidade? Como se encontra a saúde? O hospital e as unidades de saúde prestam serviços com qualidade? Há opções de lazer nos bairros? Há eventos culturais constantemente? Há locais para práticas esportivas? Não tem? Por que não?! 

Tudo isso necessita ser debatido com nossos representantes com o objetivo de se identificar os problemas e as possibilidades de melhorias. É preciso também participar dos espaços já existentes como Câmaras de Vereadores, Associações de Moradores, Conselhos Municipais de Políticas Públicas (Educação, Saúde, Assistência Social, Esporte, etc.), audiências públicas e outros. Resumindo em um parágrafo é o seguinte: 

É preciso criar maneiras para que nossos representantes estejam a todo o momento envolvidos com tarefas referentes ao nosso município, que tenham agendas lotadas de reuniões a participar, cada dia em um bairro diferente e assim por diante. Nunca esqueçam, se nós não criarmos as demandas, nada acontece. Sempre foi assim e sempre será.

Finalizo esse texto, desejando que toda essa energia revelada por todos os brasileiros nestes últimos dias seja canalizada rumo a um novo processo político no Brasil. Que entendamos de uma vez por todas que a política só é POLÍTICA quando o povo participa diretamente das decisões. 

Chega de esperar somente dos nossos representantes, trabalhemos junto com eles, indicando-lhes a direção e quais são os projetos que contemplam a vontade coletiva. Somente quando representante e representado se relacionam é que grandes projetos se concretizam, para isso é preciso cidadãs(ãos) ativa(os) e representantes com vontade política e atitudes democráticas. Dessa relação coisas boas sempre vêm! 


Alexandre Macedo é assistente social, natural de Capelinha-MG, reside em Curitiba/PR e acredita que diversos frutos virão a partir das manifestações de Junho de 2013

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pedra Azul: Pressão da população adia decisão sobre aumento salarial de vereadores

Vereadores se reúnem em regime extraordinário e de urgência para decidir o próprio aumento salarial

Por Hendrick Souza, Igor Dias e Will Nascimento, de Pedra Azul

Às vezes, estala-nos a suspeita que a consciência crítica dos cidadãos pedraazulenses está
sendo testada. Enquanto a população se trucida por facções políticas na cidade, coisas absurdas
acontecem nos logradouros públicos.
Em 29 de Agosto de 2012, às 19h30min, os vereadores reuniram-se na Câmara Municipal de
Pedra Azul, conforme ofício de convocação enviado para os mesmos, para a apresentação,
discussão e votação em regime de urgência dos Projetos de Lei 011/2012 e 012/2012 que
versam sobre o aumento salarial do prefeito, vice-prefeito, secretários, subsecretários e vereadores.
Foi aparente a surpresa dos vereadores ao notarem a quantidade de pessoas para assisti-los
em uma reunião realizada em data e horário excepcional e não divulgada. Quando foi falado o 
assunto da pauta como sendo apresentação, discussão e votação dos Projetos de Lei, o 
Presidente da Câmara José Zilton Luiz dos Santos, vulgo Zezito, retificou dizendo que havia um 
engano e que naquela data iria ocorrer apenas a apresentação das Justificativas do projeto. 
Feita a apresentação, a Comissão de Finanças fará a análise dos projetos e estes serão votados 
nos dias 03 e 04 de setembro de 2012, às 19h00min.
A reunião não foi filmada. Foi pedido um tempo para que os vereadores pudessem ler os projetos
e depois retomada a reunião. Não foram apresentados valores. O aumento salarial seria para o
mandato 2013/2016.
Vale ressaltar que o caráter de urgência da reunião, tem sua explicação. Segundo o Art. 76 da Lei
Orgânica Municipal, Parágrafo 2º, o subsídio dos Vereadores têm de ser fixado até 30 dias antes
 das eleições. Façamos uma reflexão. Se o projeto em questão fosse algo que beneficiasse 
diretamente a população, nossos “camaradas” se encontrariam ali na Câmara em caráter 
extraordinário, com tanta disponibilidade para discutir o assunto?
As reuniões extraordinárias são realizadas fora dos dias normais freqüentados pela maioria dos
cidadãos. Expressão que justifica a fala de um dos vereadores ao notar a presença de pessoas
na plenária: “Uai, aqui ta cheio hoje, hein?!”. Não seria ali a “Casa do Povo”? Será que o Povo é
bem-vindo nessas discussões?

Esses são os mesmos vereadores que não aprovaram o piso salarial dos professores em votação
anterior.
Como citado, a reunião de Apresentação, discussão e votação do aumento salarial será realizado
no dia 03 de Setembro às 19h00min. Faz-se necessário a população lotar a Câmara Municipal
para pressionar e conferir quem são de fato os vereadores do povo, e quais deles serão
dignos de permanecerem sentados naquelas cadeiras.  

Segundo Igor Dias, de Pedra Azul, a reunião de ontem, segunda-feira, 03.09, foi adiada. O povo
compareceu em massa à reunião e pressionou os vereadores para votarem contra o projeto de lei. 
A outra reunião está marcada para hoje, 04.09, às 19:00 horas.
O povo de Pedra Azul continua vigilante contra a malandragem de seus representantes políticos,
travestidos de vereadores.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Presidenta Dilma quer transparência total na administração pública


Lei de acesso a informação de documentos 

públicos é sancionada pela presidenta Dilma


A presidente Dilma Rousseff sancionou e fez com que fosse publicada no mesmo dia no Diário Oficial a Lei n. 12.527 chamada Lei de acesso às informações públicas. Segundo  a presidente “todos os brasileiros poderão consultar documentos e informações produzidos pela administração pública, que deverão ser oferecidos de forma clara em linguagem simples e direta com apoio de ferramentas de busca e pesquisa”.
Ainda segundo ela, a Lei agirá tanto no Executivo, como no Legislativo e Judiciário e explicou que o governo aberto fundamenta-se em três pilares “indissociáveis” :  a transparência que permite a prestação de contas; a participação social que assegura a cidadania, e o monitoramento  sistemático dos resultados das políticas públicas que asseguram uma gestão de qualidade.
“Tudo isso utilizando-se de tecnologias que permitem informações adequadas, facilitam o acesso e a gestão e permitem um combate mais efetivo a corrupção”, completou.
 
Menos de uma semana após a presidenta Dilma Rousseff assinar a Lei de Acesso à Informação Pública, foram lançados dois sites para ajudar na utilização deste importante instrumento para o controle social e a democracia, um do governo federal e outro da sociedade civil. A instituição dessa lei é um importante marco para a criação de um sistema que possa garantir a transparência e o controle social nos investimentos públicos seja para o megaeventos esportivos de 2014 e 2016 ou depois.
A lei garante e regulamenta o acesso a documentos públicos de órgãos federais, estaduais, distritais e municipais dos três poderes da República. Assim que terminar o período de adaptação, em menos de seis meses, qualquer cidadão poderá pedir informações para os órgãos públicos, desde a planilha de gastos a até relatórios de licenças ambientais ou para concessão de rádio e televisão. O texto sancionado no dia 18/11, diz que não é necessário justificativa para a pergunta e que o órgão público questionado tem até 30 dias corridos para responder.
A Controladoria-Geral da União (CGU) lançou oAcesso à Informações com explicações sobre a lei, os procedimentos que o cidadão deve tomar e também as exceções, isto é, quais tipo de informações não podem ser obtidas com base nessa lei.
Já o Queremos Saber é uma iniciativa da Comunidade Transparência Hacker e pela Open Knowledge Foundation Brasil. Seu principal objetivo é simplificar os pedidos dos cidadãos ao mesmo tempo que cria uma base de dados aberta de todas as perguntas e respostas feitas pela sociedade. O projeto é baseado numa experiência inglesa, o What do they Know?, em português “o que eles sabem?”. O site inglês é responsável por 14% dos pedidos de informação feitos para o Departamento de Estado Inglês e 25% dos requerimentos para o Ministério da Educação daquele país.
O Queremos Saber entrou oficialmente no ar nesta segunda-feira (21/11) e já conta com 98 pedidos de informação e 5660 órgãos públicos cadastrados.

Fonte: blog do Planalto e Jogos Limpos., com dica do 
pedraazul-mg.blogspot.com.br//lei-de-acesso-informacaol

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Diamantina realiza Conferência dos Direitos da Criança e Adolescentes

Diamantina realiza Conferência dos Direitos das Crianças e Adolescentes
Fonte: Prefeitura de Diamantina



A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente convidam toda a comunidade para participar da Conferência Municipal dos Direitos da Criança e Adolescentes, dia 29 de setembro, ás 08 horas da manhã no Teatro Santa Isabel.

Este ano o tema da conferência é: "Mobilizando, Impementando e Monitorando a Politica e o Plano Decenal de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes nos Estados, Distrito Federal e nos Municípios."

PROGRAMAÇÃO:
08:00 hs Credenciamento
08:30 hs Abertura
09:00 hs Apresentação dos eixos:
I-Promoção dos Direitos de Crianças e Adolescentes
II-Proteção e Defesa dos Direitos
III-Protagonismo e Participação de Crianças e Adolescentes
IV-Controle Social e Efetivação dos Direitos
V- Gestão da Política Nacional dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes

10:15hs Plenária
11:30 hs Eleição para delegados
12:00hs Encerramento

Art.4º da resolução nº 05/2009: Será obrigatória a participação das organizações da Sociedade Civil no Fórum dos Direitos da Criança e Adolescente, sob pena de não obterem o registro junto ao CMDCA.

Coordenação: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Diamantina-CMDCA

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A política tem jeito!

A política tem jeito!
Por Alexandre Macedo

As eleições municipais estão próximas e é cada vez maior o número de pessoas desacreditadas na eficácia desse processo. A maioria dos eleitores estão associando a política com algo "sujo", coisa de gente "que não tem o que fazer", "todos são corruptos", etc.

Saibam que é dessa forma que os "velhos macacos" da política jequitinhonhense querem que o eleitor pense. Assim, as pessoas de bem não participarão da política e o "osso" mais uma vez fica pra eles. A mídia mostra, para nós cidadãos, uma imagem de uma política "deturpada" para que assim as pessoas de bem não queiram participar dela para transformá-la!

Diz um ditado: "A audácia dos maus se alimentam da covardia dos bons". É bem isso que acontece! Enquanto os bons pensarem que a política é para corruptos, cada dia mais o nosso país verá aumentar o número de escândalos envolvendo nosso dinheiro público. O que parece, é que a corrupção virou algo normal e corriqueiro.

As pessoas veem as notícias no rádio, no jornal, na internet e outros e já não mais se importam. Pensam: Isto é normal, normal, normal... Pois é, este "normal" que impede o nosso país de se desenvolver! A corrupção deveria ser algo intolerável assim como qualquer outro crime grave. A corrupção é a causa da demora do atendimento no SUS, é a causa do sucateamento das Universidades Públicas, é a causa da nossa péssima educação, é um dos principais fatores da desigualdade social, etc. Caberia aqui uma lista interminável de desgraças ocasionadas pela corrupção. A corrupção causa pobreza, minha gente! Dinheiro que era pra ser investido no bem estar de muitos vai pro bolso de uma pequena corja.

Para impedir tal crime, nós cidadãos, temos várias armas democráticas que são muito eficazes no combate ao desvio do dinheiro público. Temos a internet, as conferências, os conselhos e também lembrando, que qualquer cidadão tem o direito de ir até qualquer instituição pública e exigir a prestação de contas, assim como garante nossa Constituição. Ações assim contribuirão para consolidar a transparência nos nossos municípios, sem transparência no Orçamento Público é impossível falarmos em democracia.

Por essas e outras questões, nas próximas eleições, não nos deixemos enganar com vãs falácias e promessas de infinitas obras. O Político, aquele com "P" maiúsculo, é aquele que se preocupa com a democracia, que quer chegar ao poder para assegurar que tal poder seja devidamente do povo, assim como reza nossa Constituição Federal. Político de verdade fala em Transparência, fala em Orçamento Participativo, fala em Audiência Pública, fala em plebiscito e em todas as outras ferramentas que garantem a verdadeira democracia. Político que é POLÍTICO é aquele que vai aonde se encontra o povo, que busca a opinião da maioria, que constrói suas bases políticas com o povo.

Já estamos cansados da mesma "ladainha" de sempre. Que venham novos discursos, que cesse esse bate-boca infindável entre candidatos. Fazem da política uma "rinha" de palhaços onde ganha o voto aquela que provocar mais risadas na platéia. Política é coisa séria! É ela que decide o nosso destino, é ela quem vai gerir nossa saúde, educação, lazer, habitação e outras políticas responsáveis pelo nosso bem-estar!

Que em 2012, as coisas sejam diferentes, esta é a nossa principal esperança. Acreditar num "salvador da pátria'? Jamais! Ninguém mudará nada sozinho, mas sim num constante trabalho de construção coletiva com o povo, isso sim é democracia, isso sim é a POLÍTICA!

Clique no endereço abaixo, onde reproduzimos um vídeo onde o cidadão pode obter dicas preciosas de como participar ativamente da gestão da cidade e ter a certeza que a nossa política ainda tem jeito, mas que a solução, disso não podemos nos esquecer, depende da nossa participação.
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Alexandre Macedo é estudante de Serviço Social na PUC-PR e membro do Movimento Muda Capelinha.