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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Artesanato em cerâmica do Vale do Jequitinhonha é reconhecido como patrimônio imaterial.

Estudo realizado entre 2017 e 2018, mapeou artesãs e artesãos de 21 municípios da região.

Em sua última reunião de 2018, realizada nesta quarta-feira (19.12.18), na sede do Iepha-MG, o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural – Conep – aprovou por unanimidade o reconhecimento do Artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha: saberes, ofício e expressões artísticas como patrimônio cultural de natureza imaterial de Minas Gerais.
A pesquisa, que durou cerca de um ano, teve como metodologia a realização de um mapeamento, por meio de uma plataforma online disponível no site do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais recebeu 122 cadastros de artesãs e artesãos, de 21 municípios do Vale Jequitinhonha, no nordeste de Minas. Além disso, foram realizadas pesquisas de campo nas principais comunidades produtoras, com registro fotográfico e audiovisual, que, por sua vez, contribuiu para a elaboração do dossiê de Registro intitulado “Artesanato em Barro do Vale do Jequitinhonha: saberes, ofício e expressões artísticas em Minas Gerais”.
"Este trabalho foi bastante desafiador. Para viabilizar esse reconhecimento, primeiro tivemos que fazer uma composição de  várias mãos. E o segundo desafio foi, em tão pouco tempo, ter que dar conta de tanto conteúdo e saberes, que não se esgotam nesse período de estudo", diz a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo. "Encerramos aqui uma etapa, que é importante, de reconhecimento, mas a principal conclusão a que chegamos é que o conhecimento deste saber é algo contínuo. A própria ação de salvaguarda vai pressupor a continuidade deste estudo e a discussão de medidas tanto físicas quanto imateriais em relação à proteção do modo de fazer deste fazer cultural", conclui.
A produção de cerâmica está espalhada por todo o Vale, sendo que os principais polos produtores são os municípios de Turmalina, Minas Novas, Araçuaí, Itinga, Itaobim, Caraí e Ponto dos Volantes.
"Este trabalho foi bastante desafiador. Para viabilizar esse reconhecimento, primeiro tivemos que fazer uma composição de várias mãos. E o segundo desafio foi, em tão pouco tempo, ter que dar conta de tanto conteúdo e saberes, que não se esgotam nesse período de estudo" Michele Arroyo, Presidente do Iepha-MG


A reunião do Conep foi acompanhada por diversos artesãos mineiros. Maria do Carmo Barbosa fez questão de vir de Turmalina, no Vale do  Jequitinhonha, para estar presente neste momento, que ela disse ser "histórico" para os artistas do barro da região. Ela, que é oficineira há oito anos veio representando as 39 mulheres que compõem a Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo. "Isso é um marco fundamental para nós e vai ficar na história daqueles que vierem. Vamos deixar um legado para nossos filhos", comemorou a artesã.
Para o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, a proteção da arte da cerâmica é vital para a região. “O mais impressionante e significativo é a diversidade da produção autoral. O Jequitinhonha está repleto de mestres, sendo notável exatamente pela originalidade das criações”, ressalta Angelo.
O modo de fazer e as expressões artísticas do artesanato do Vale do Jequitinhonha somente são possíveis diante da existência do ofício de artesã, e que, na região, é predominantemente desempenhado pelas mulheres, cujos conhecimentos e técnicas de produção cerâmica são transmitidos de geração em geração. Esse ofício exige uma série de conhecimentos tradicionais, e todo o processo aprendido é atualizado na medida em que as artesãs experimentam, pesquisam e criam suas próprias estruturas e formas de fazer o artesanato em barro sem, contudo, deixarem de seguir a tradição.
Um dos elementos importante e definidores do artesanato do vale do Jequitinhonha é a existência de várias tonalidades de barro. Esse conjunto de cores está disponível na natureza, mas sua aplicação nas obras é fruto de contínuo aprimoramento e experimentação das artesãs e artesãos, que ao longo do tempo buscaram a criação de distintos pigmentos. A pintura das peças demonstra o profundo conhecimento dos artistas em relação às cores, pois a coloração da peça final somente é adquirida depois que a peça vai ao forno, ou seja, pinta-se de uma cor, sabendo que ela terá outra após a queima.
Artesãs do Vale do Jequitinhonha presentes na última reunião do CONEP 2018    . 
  Foto: Acervo Iepha-MG
Agora, o Artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha: saberes, ofício e expressões artísticas é o sétimo bem cultural de natureza imaterial junto com o Modo Artesanal de Fazer o Queijo da Região do Serro (2002), à Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte (2013), à Comunidade dos Arturos (2014), às Folias de Minas (2017), às Violas e ao quilombo Manzo Ngunzo Kaiango (2018).

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

2 mil peças de artesãos do Vale são selecionadas para a exposição Sobre Flores e Bonecas

A exposição que acontece em São Paulo entre os dias 22 de novembro e 23 de dezembro, na “A Casa - museu do objeto brasileiro- será uma homenagem à artesã dona Isabel, de Santana do Araçuai, que faleceu aos 90 anos.

Foto: arquivo2 mil  peças de artesãos do Vale são selecionadas para a exposição Sobre Flores e Bonecas
A peças são de 30 artesãos do Vale do Jequitinhonha, a maioria de Santana do Araçuai.
A artista plástica e ceramista Andreia Pereira de Andrade, 33, começou a tomar gosto pelo ofício logo cedo, aos 12 anos de idade. Ela se encantava ao ver a avó, Dona Izabel, e a mãe, Glória, darem forma à argila. E é nas mãos dessas mulheres que o barro reproduz cenas do cotidiano da região de Ponto dos Volantes, Território Médio e Baixo Jequitinhonha.
O trabalho de Dona Izabel vem sendo passado para várias gerações
 “Guardo com carinho os ensinamentos da minha avó, especialmente o jeito de reproduzir em detalhes, o feminino regional nas bonecas, nas formas da mulher, nas roupas rendadas e nos laços de fita”, relembra a neta. As bonecas de Dona Izabel, especialmente, ficaram famosas pelo mundo representando a arte do local.
 O trabalho da artesã Aneli de Souza Brandão também tem um pouco de Dona Izabel. “Eu aprendi com ela a fazer as bonecas, as feições. E por causa delas me orgulho de ser mulher, de ser do Vale do Jequitinhonha. É daqui que nós tiramos nossa força, sustento, identidade. Sem isto, somos menos que podemos” comenta emocionada. 
 Glória Mendes, filha de Dona Izabel conta que a preservação desta arte sempre foi preocupação para a mãe. “Quando ela estava no hospital, pediu para que o trabalho não fosse interrompido. Eu prometi que nunca iria parar, somente quando Deus me levar”, conta Mendes. Hoje, ela e a filha Andreia Pereira lutam para que o legado deixado por Dona Izabel continue gerando trabalho e renda para muitas mulheres artesãs da região.
 História de Dona Izabel
 Dona Izabel ficou famosa dentro e fora do país
Dona Izabel ficou famosa dentro e fora do país

 Artesã mineira, falecida em 2014, aos 90 anos, Dona Izabel usava o barro para sustentar seus quatro filhos após ficar viúva. Suas bonecas fomentaram a economia e identidade locais, ganharam o mundo e foram reconhecidas por diversos prêmios como o Unesco de Artesanato para a América Latina (2004), a Ordem do Mérito Cultural (concedida pelo Ministério da Cultura em 2005) e o Prêmio Culturas Populares (Ministério da Cultura, em 2009).
Investimentos
 Dentro da lógica do desenvolvimento regional, o Governo de Minas Gerais reconhece a importância da cerâmica do Jequitinhonha para a cultura e economia mineira e investe no nesse tipo de trabalho com diversas ações.
 No início do mês de outubro, por exemplo, uma equipe do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais (Sedif), acompanhada do antropólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Lima, esteve na comunidade de Santana do Araçuaí.
 O objetivo foi selecionar mais de 2.000 peças de aproximadamente 30 artesãos, sendo alguns discípulos de Dona Izabel, que irão participar da exposição “Sobre Flores e Bonecas: a cerâmica do Jequitinhonha”, que homenageará Dona Izabel, em São Paulo.  A exposição será entre os dias 22 de novembro e 23 de dezembro, na “A Casa - museu do objeto brasileiro” que fica na Avenida Pedroso de Morais, nº 1234, no bairro de Pinheiros, São Paulo.
 “Esses produtos são referência mundial. As feiras e exposições poderão contribuir para que este artesanato de tanta tradição não seja abandonado e esquecido. E as feiras são ótimas oportunidades para isso”, disse Ricardo Lima.


A ação faz parte do programa Artesanato em Movimento, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) e seu órgão operacional, o Idene, em parceria com a Superintendência de Artesanato, a Sedif, o Sebrae-MG e A Casa - Museu do Objeto Brasileiro.
 “A intenção é fortalecer o trabalho do artesão mineiro, bem como criar oportunidades para promover a comercialização, já que a maior dificuldade é o escoamento da produção”, afirma o coordenador do programa, Ronaldo Lima.
Selos comemorativos
Outra medida para divulgar o artesanato de Santana do Araçuaí foi a parceria entre o Governo de Minas Gerais e a regional mineira dos Correios na criação de um conjunto de selos especiais, com as imagens das bonecas premiadas de Dona Izabel, lançado em setembro deste ano. A iniciativa é uma parceria entre o Sistema Sedinor/Idene, a Sedif, a Coordenação de Artesanato, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), o Centro de Artesanato Mineiro e o Instituto Vale Mais.
Fonte: Agência Minas

domingo, 18 de setembro de 2016

Artesanato do Vale do Jequitinhonha é homenageado em selo dos Correios


Governo de Minas Gerais e Correios eternizam bonecas do Vale Jequitinhonha.

Selos vão trazer imagens das premiadas bonecas de barro da Mestra Dona Izabel Mendes, arte que atravessou gerações e virou referência nacional.


Para valorizar ainda mais a arte popular brasileira, especialmente o tradicional artesanato mineiro, o Governo do Estado e a Regional dos Correios em Minas Gerais lançam, na próxima terça-feira (20/9), um conjunto de selos com as premiadas bonecas de barro da Mestra Dona Izabel Mendes, do Vale do Jequitinhonha. 

O evento ocorre, às 10h, no Centro de Artesanato Mineiro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. 
A iniciativa dos selos foi originada do Vale Mais -- Instituto Sociocultural do Jequitinhonha, que se inscreveu no edital dos Correios e apoia as mais diferentes manifestações culturais. A partir daí houve apoio efetivo do Governo do Estado, por meio da Coordenação do Artesanato da Secretaria de Estado Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais (Sedif), Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene) e o parceiro Centro de Artesanato Mineiro.  
As bonecas foram trabalhadas no barro com uma técnica peculiar, que foi passada para as gerações seguintes. Ela tinha prazer em ensinar e os seus filhos e netos aprenderam o ofício e se transformaram em referência na arte popular brasileira. Todos eles confirmaram presença no evento.
Os selos foram produzidos a partir de fotografias que integram o acervo do Centro de Arte Popular (Cemig), utilizando recursos de computação gráfica. Eles ilustram os valores que a Mestra Dona Izabel Mendes atribuiu ao universo feminino, destacando a beleza, as noivas e os seus buquês, entre outros momentos da mulher.

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Rubinho Do Vale
m coração, ela jura que tem a doçura do mel. A boneca de Dona Isabel parece pintada em papel, da terra nasce a pintura, a escultura desce do céu. Maria, Joana e Raquel não pagam pensão nem hotel, são as princesas do Vale, bonecas de Dona Isabel. A mão de Dona Isabel deslisa bem mais que pincel, transforma o barro em boneca, poema, poeta, cordel. A boneca de Dona Isabel é a história de tanta Isabel, mulheres do vale, da lida, retrato da vida fiel." (Edição do clipe: Disha Juliana Guarani Kaiowá)
História
Nascida em Córrego Novo, em 1924, Mestra Isabel Mendes viveu a maior parte da sua vida em Santana do Araçuaí, distrito de Pontes dos Volantes, no Vale do Jequitinhonha.  A artesã faleceu em 2014, com 90 anos de idade. A sua obra foi vencedora, entre outros, da 7ª edição do Prêmio Unesco de Artesanato para a América Latina e Caribe, quando concorreu com 90 trabalhos de 16 países.
Serviço:
Lançamento do Selo Comemorativo “As Bonecas da Mestra Dona Izabel Mendes”
Dia: 20 de Setembro (Terça-feira)
Horário: 10h
Local: Centro de Artesanato Mineiro (Palácio das Artes) - Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, BH.