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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Mudanças no FIES ajudam Bancos e sacrificam estudantes pobres


Câmara aprova mudança do Fies e impõe a estudante pagamento imediato.

A matéria agora vai ao Senado.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira (31.10) a medida provisória que institui novas regras para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Por 255 votos a 105, os deputados acataram as mudanças propostas pelo governo ao sistema que financia estudantes de cursos privados do ensino superior, profissional, técnico ou tecnológico e em programas de mestrado e doutorado. A matéria agora vai ao Senado. 
Atualmente, para ter acesso ao financiamento, o estudante deve passar por avaliação positiva em processos estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Também é necessário comprovar renda familiar mensal bruta de até três salários-mínimos. 
Entre as principais mudanças estão as formas de pagamento da dívida e das taxas de juros do financiamento. 
Câmara aprova mudança do Fies e impõe a estudante pagamento imediato
 Antes, após a formatura, o estudante tinha até 18 meses para começar a pagar o financiamento
Pagamento de financiamento não terá carência
Uma das alterações propostas pela MP está a exigência de que o pagamento do valor financiado ocorrerá no primeiro mês após a conclusão do curso. Antes, após a formatura, o estudante tinha até 18 meses para começar a pagar o financiamento. 

(Em plena crise política, com o desemprego em alta, o recém-formado terá que se virar para pagar a dívida até arrumar um emprego como profissional de nível de formação superior).
O chamado "prazo de carência" tinha como objetivo dar um tempo ao recém-formado para que ele conseguisse uma fonte de renda antes de começar a quitar a dívida. Nesse período, o estudante pagava, a cada três meses, uma parcela de até R$ 150, referente aos juros que incidem sobre o financiamento.
De acordo com a medida aprovada pela Câmara, o estudante poderá consignar a dívida à folha de pagamento, caso esteja empregado. O saldo devedor remanescente deverá ser pago em prestações mensais equivalentes ao maior valor entre o pagamento mínimo e o cálculo do percentual vinculado à renda bruta do estudante. Ou, ainda, poderá ser amortizado e quitado de forma integral com redução dos encargos. 
Juros do jeito que os Bancos gostam
Entre outros pontos, a medida estabelece também que, a partir do primeiro semestre de 2018, os financiamentos serão concedidos, dependendo da modalidade, sem juros e com correção anual de acordo com a variação do índice oficial de preços ou taxa estipulada no início do contrato. 
(Governo deixa o mercado financeiro cobrar os  juros que quiser. Alterações favorecem os bancos, punem os estudantes de baixa renda)
Hoje, a taxa de juros anual do programa é de 6,5%. A MP admite a possibilidade de reparcelamento ou amortização em condições especiais de débitos vencidos e a extensão do prazo para conclusão do curso financiado por até quatro semestres. 
A medida permite o abatimento de 1% do saldo devedor para estudantes que atuarem como professores de educação básica na rede pública. O percentual de abatimento pode chegar a 50% do valor devido para estudantes que atuarem como médicos de equipe da saúde da família ou como médico militar em áreas carentes de profissionais. 
Instituições financeiras oficiais, como bancos ou administradores de crédito, poderão atuar como agente operador do Fies e empresas financeiras poderão ser contratadas para serviços de cobrança administrativa. Fica dispensada a licitação na contratação das empresas se elas forem públicas. Os operadores de crédito poderão gerir os recursos do programa, fiscalizar as informações prestadas pelos estudantes e definir as condições de concessão de financiamento, de acordo com critério estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). 
 (O FIES deixa de ser política educacional de acesso, de inclusão social, e vira política fiscal)
A MP também introduz novas modalidades de financiamento como o Fies-trabalhador e o Fies-empresas, direcionados aos cursos profissionais e técnicos. O texto cria ainda o Programa de Financiamento Estudantil, que complementará o Fies e será composto por recursos de fundos regionais de desenvolvimento, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de outras receitas a serem definidas.  
A medida constitui ainda o Fundo Garantidor do Fies, uma espécie de seguro privado de limite de R$ 3 bilhões, ao qual deverão se vincular obrigatoriamente as insituições privadas de ensino que adotam o programa. A instituição de ensino que tiver interesse em aderir ao Fies deverá aplicar percentuais que variam de 10% a 25 % sobre os encargos educacionais, de acordo com o tempo de vínculo da entidade mantenedora ao fundo garantidor.
Deputados do Governo querem ajudar bancos. Aumentam o número de estudantes financiados, mas em condições restritivas.
“O Fies vai ficar com 150 mil vagas, o Fies 2, com mais 150 mil vagas, podendo aumentar através dos fundos constitucionais, e o Fies 3 vai ficar com 80 mil vagas, totalizando 380 mil vagas. Se nós fizermos uma comparação nos últimos três anos, 2015, 2016 e 2017, veremos que nós tivemos uma média de 230 mil, 240 mil vagas por ano. Então nós vamos ter um acréscimo de mais de 50%. Eu acho que nós temos que aprovar essa matéria hoje aqui na Casa, para que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e os estudantes que estão se preparando para o Enem possam se preparar para ter acesso a essas vagas”, disse o deputado Moses Rodrigos (PMDB-CE).

Oposição alerta: com novas regras haverá mais dificuldades de acesso à Universidade
Para partidos da oposição, a reforma do sistema pode prejudicar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior. Os oposicionistas apresentaram diferentes requerimentos para tentar obstruir a votação, mas todos foram rejeitados.

Nós entendemos que essa matéria agora quer transformar o Fies até como política educacional, como política fiscal. Ela está transitando para política fiscal a juros abertos e saqueando dinheiro de fundos públicos, como está previsto no projeto: FGTS, BNDES, fundos da Amazônia, do Norte, do Nordeste, do Centro-Oeste. Na verdade, ela só está garantindo hoje poucas vagas para aqueles que ganham até três salários mínimos. Quer dizer, os pobres serão excluídos. É por isso que essa medida provisória é para facilitar a vida de banqueiros, pois os juros serão liberados, juros de mercado”, disse Ivan Valente (PSOL-SP).

Diante das divergências, a sessão chegou a ser suspensa pelo presidente interino da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), na tentativa de um acordo entre os líderes.

Após a retomada, o PT retirou a obstrução depois de ter duas de suas sugestões de mudanças no texto acatadas, entre elas a retirada da possibilidade de utilizar o Fundo de Garantia do Tempo e Serviço (FGTS) para pagamento de dívidas do Fies.

O partido também conseguiu fechar acordo para incluir na MP a possibilidade dos estudantes aderirem ao Programa Especial de Regularização do Fies, uma espécie de Refis para liquidar débitos vencidos até 30 de abril deste ano.

No entanto, PSOL e PCdoB continuaram com a estratégia de impedir o andamento da votação, o que arrastou a discussão por mais de duas sessões. O presidente interino reiterou que tinha sido firmado acordo e decidiu prosseguir com a votação. 

“Mudar a natureza do Fies, batizá-lo de Novo Fies, fazendo com que a decisão da taxa de juros e a análise da capacidade financeira do estudante fiquem por conta dos bancos privados é algo que se pode decidir às pressas? Isso é uma mudança da natureza original do Fies, que ajudou a expandir o número de estudantes universitários no país”, reclamou a líder do PCdoB, Alice Portugal (BA).

A matéria foi aprovada com poucas alterações da proposta original. Agora, vai para o Senado Federal.
Fonte: Matéria original da Agência Brasil com alterações e destaques do Blog

Com as alterações no Fies - que hoje beneficia 117 mil estudantes, o que representa uma queda de quase 50% em relação a 2016 - o próprio MEC não escondeu que, com essas mudanças, o Fies vai privilegiar quem tem condições de obter financiamento com o banco em detrimento daqueles cuja situação social é muito mais vulnerável. Isso porque é "comum" que família com até 3 salários mínimo tenham "dificuldade para comprovar seus ganhos por conta da informalidade."

Na prática, não é segredo que levarão vantagem os primeiros (estudantes) que têm notas mais altas e perfil socioeconômico mais alinhado com o tipo de cliente a quem um banco normalmente concede crédito.

O próprio governo Temer, por sua vez, não esconde que os mais pobres serão prejudicados porque "não conseguirão passar pelo crivo dos bancos para obter crédito".

“Sabemos que alguns alunos mais pobres ficarão de fora, mas tínhamos de garantir a sustentabilidade do programa”, disse Pedro Pedrosa, diretor de gestão de fundos e benefícios do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) do Ministério da Educação. 

Segundo o MEC, o FIES tem cerca de 2,5 milhões de contratos ativos. Uma boca boa pros bancos. Considerando um valor médio de financiamento de R$ 50 mil por curso superior (fora Medicina e Odontologia, mais caros), o sistema financeiro terá, no mínimo, o movimento de R$ 75 bilhões para aplicar os juros que quiser. 



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O ROLÊ DA DILMA: SISU, PROUNI, FIES, ENEM

Sem falar nos 5 milhões e 500 mil no Pronatec: tudo rolezando…


Publicado pelo conversaafiada/o-role-da-dilma-sisu-prouni-fies-enem/ do jornalista Paulo Henrique Amorim
Nesta temporada 2013/2014, 11 milhões e 600 mil jovens brasileiros participaram das diversas modalidades de acesso ao ensino superior.

(Omitiram-se aqui os 5 milhões e 500 mil de inscrições no Pronatec, onde também rola um rolezinho legal.)

11 milhões e 500 mil jovens brasileiros no rolezinho da Dilma correspondem a 5,8% de TODA a população brasileira.

Dirão os aficcionados da “doença infantil da arruaça” que o Conversa Afiada pode ter cometido o crime da dupla contagem.

É provável.

Mas, ajuda a desmistificar a relevância desse rolezinho do PiG - Partido da Imprensa Golpista.

Para tratar desse rolê, o Conversa Afiada recorreu a informações do Ministério da Educação e do INEP:
SISU: 

O número de inscritos do Sisu teve crescimento de 31% este ano. 

Foi o maior em número de inscrições desde a criação do programa em 2010. 

Foram 2.559.987 inscritos e 4.988.206 inscrições, já que cada candidato pôde fazer até duas opções de curso.

Os estudantes puderam optar entre mais de 4 mil cursos espalhados em 115 universidades e institutos federais, presentes em todos os Estados da federação. 


PROUNI: 

O ProUni bateu recorde de inscritos. 

A primeira edição de 2014 (os estudantes ainda podem se inscrever no segundo semestre), o ProUni registrou 1.259.285 inscritos interessados em concorrer a bolsas de estudos em instituições particulares. De acordo com o balanço final, o número de inscrições chegou a 2.424.354— cada candidato pode fazer até duas opções de instituição e curso. 

Neste primeiro semestre, o programa oferece 191,6 mil bolsas, sendo 131.636 bolsas integrais e 59.989 parciais, em 25,9 mil cursos. Isso significa crescimento de 18% na oferta em relação à primeira edição do ano passado


FIES: 

O FIES não trabalha como “temporada’’ de inscrição. 

Os contratos são firmados o ano todo.  

Ano passado foram firmados 556,5 mil contratos (aumento de 47% com relação aos financiamentos cedidos em 2012).  

Desde de 2010, foram 1.173.455 financiamentos.

Do total de 1,17 milhão de contratos formalizados entre 2010 e 2013, o curso de Engenharia é o mais procurado, com mais de 198 mil contratos. Em seguida, Direito (178 mil contratos), Administração (98 mil), Enfermagem (84 mil) e Pedagogia (53 mil). 

Em 2013, o Estado com o maior número de contratos firmados foi São Paulo (155 mil), seguido de Minas Gerais (61 mil), Bahia (40 mil) e Rio de Janeiro (36 mil).

Enem: 

No Enem foram 7.173.790 de inscritos: cerca de 5,2 milhões fizeram a prova. 
Fontes: MEC e INEP

Em tempo: o Conversa Afiada adiciona informações sobre o programa ‘Ciências Sem Fronteiras’, que também faz parte do rolê da Dilma:

O Governo já concedeu 44.094 bolsas de estudos para alunos brasileiros estudarem no exterior, de 2011 até setembro de 2013. (Veja aqui como foram distribuídas as bolsas e aqui para ver onde estão os bolsistas).

No  programa ‘Ciências Sem Fronteiras’, o Governo paga todos os custos da viagem, a mensalidade da universidade, o alojamento, a alimentação e também um curso para quem precisa melhorar o domínio do idioma do país onde está.

A meta do Governo é oferecer 101 mil bolsas do ‘Ciência sem Fronteiras’ até o fim de 2014. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Médicos têm incentivo para atuar em regiões pobres

Médico terá abatimento de dívida do FIES se trabalhar em região pobre
Vale do Jequitinhonha pode se beneficiar de medida do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde publicou uma portaria no Diário Oficial que regulamenta o abatimento da dívida do Fies -Fundo de Financiamento Estudantil a médicos que trabalharem em regiões pobres e carentes de profissionais.
A redução será de 1% na dívida a cada mês trabalhado após o primeiro ano. Segundo o MEC - Ministério da Educação, o saldo devedor total poderá ser quitado em cem meses depois deste primeiro ano.
A portaria saiu no dia 14.06. O governo federal ainda vai definir quais regiões serão consideradas prioritárias. A listagem deve sair até o dia 15 de julho. Além disso, o médico precisará ter feito residência em áreas também consideradas de prioridade para o SUS -Sistema Único de Saúde, que também serão definidas no mesmo prazo.
A reportagem acima foi postada pelo atento Bernardo Vieira, no Blog do Jequi


Comentário:

Acredito que os formandos em Medicina, Engenharia, Agronomia e outras profissões, das universidades públicas, estaduais ou federais, deveriam ser obrigados a trabalharem por 3 a 5 anos em regiões economicamente vulneráveis como os Vales do Jequitinhonha, Mucuri e norte de Minas.

Seria uma forma de pagamento dos benefícios usufruídos pela gratuidade dos estudos pagos pelos contribuintes.