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terça-feira, 12 de março de 2019

Reforma da Previdência vai prejudicar mais as mulheres

As mulheres e a reforma da Previdência de Bolsonaro

Estado ainda não pagou sua dívida com as políticas públicas

Beatriz Cerqueira*
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Antes de qualquer debate que envolva a vida das pessoas, é fundamental sabermos qual é a realidade em que elas vivem. Para discutir o que representará para as mulheres a reforma da Previdência Social apresentada pelo governo Bolsonaro, é necessário saber o que vivemos:

1) As mulheres dedicam, em média, 17,3 horas semanais na realização de atividades não remuneradas, contra 8,5 horas semanais por parte dos homens. Somando a dupla jornada que têm, pois exercem funções que deveriam ser assumidas por políticas públicas promovidas pelo Estado, as mulheres trabalham, semanalmente, 54,2 horas, enquanto os homens trabalham 49,9 horas semanais.
2) Em 2017, as mulheres correspondiam a 62,8% do total de aposentadorias por idade concedidas pelo Regime Geral de Previdência.
3) Do total de dependentes que recebem pensão por morte, 83,7% são mulheres.
4) Dos benefícios assistenciais aos idosos, 59,1% são destinados a mulheres.
5) Os atuais benefícios previdenciários pagos às mulheres são 31% menores do que a média paga aos homens.
Sobre o mercado de trabalho:
1) A remuneração média dos homens é 28,8% superior à das mulheres.
2) As taxas de desemprego são maiores entre as mulheres: 13,5%, contra 10,1% entre os homens. Se considerarmos o universo entre 19 e 24 anos, 27,2% estão desempregadas.
3) Quase metade das mulheres inseridas no mercado de trabalho não possui registro em carteira.
Diante dessa realidade, as propostas do governo Bolsonaro de aumentar o tempo de trabalho das mulheres, acabar com a aposentadoria por tempo de contribuição no Regime Geral de Previdência, atacar a aposentadoria das professoras (profissão constituída majoritariamente por mulheres) e trabalhadoras rurais, reduzir os valores dos benefícios e adotar medidas restritivas para a concessão de benefícios provocarão o aumento da pobreza das mulheres na velhice e ampliarão sua exclusão da Previdência Social.
O Estado brasileiro ainda não resolveu sua dívida com as políticas públicas. Não há vagas para todas as crianças na educação infantil, não há assistência ao idoso, as dificuldades no SUS tendem a aumentar diante do congelamento dos investimentos por 20 anos. Todas estas questões são hoje supridas pelas mulheres. São elas que saem do mercado de trabalho ou reduzem suas jornadas quando a família precisa cuidar da criança, dos idosos ou dos doentes. Por isso, sua jornada de trabalho não remunerado é reconhecida para a atual redução de tempo e idade para a aposentadoria.
Em síntese, a reforma da Previdência Social, se aprovada, exigirá mais sacrifícios das mulheres, agravará as desigualdades de gênero que existem no mercado de trabalho e penalizará, sobremaneira, esse importante universo da população brasileira, que tanto já faz para contribuir para o desenvolvimento do país.
Então, não adianta oferecer flores no Dia Internacional da Mulher e apoiar uma reforma que atacará as mulheres em sua sobrevivência. Nossas prioridades deveriam ser a geração de emprego, o fortalecimento de políticas públicas nas áreas de educação e saúde e o combate às desigualdades entre homens e mulheres.
Observação: os dados citados são da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios de 2017 e 2018.

*Beatriz Cerqueira é professora da rede pública estadual, ex-presidente do SIND-UTE, da Frente Brasil Popular e da CUT-MG. Atualmente, exerce o primeiro mandado de deputada estadual na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. 
Fonte: OTEMPO, PUBLICADO EM 12/03/19 - 03h00

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Anastasia quer extinguir Fundo Previdenciário dos servidores estaduais


Minas 247 - O Ministério Público vai questionar o projeto do governador Antônio Anastasia (PSDB) que extingue o Fundo de Previdência do Estado de Minas Gerais (Funpemg) e transfere os recursos do órgão (R$ 3 bilhões) para o Fundo Financeiro de Previdência (Funfip), que demanda verba do tesouro em torno de R$ 700 milhões por mês. Segundo fontes do próprio governo, o déficit do Funfip já ultrapassa R$ 8 bilhões. Após reunião com deputados do Bloco Minas Sem Censura, que tem como presidente o deputado Sávio Souza Cruz (PMDB), e representantes de servidores públicos, o promotor Eduardo Nepomuceno confirma que há elementos jurídicos suficientes para mover uma ação judicial.
"Diante dos desdobramentos possíveis, não podemos descartar a chance de se discutir a constitucionalidade dessas normas e até civilmente uma ação própria para discutir alguns atos administrativos que por ventura possam ser praticados, como a transferência desses recursos para outros fins", disse o promotor.
Com o início da tramitação dos projetos, os deputados do Bloco Minas Sem Censura (PT, PMDB e PRB) têm se posicionado totalmente contra as medidas adotadas pelo governador Antônio Anastasia. Para o presidente do bloco, deputado Sávio Souza Cruz, "essa é mais uma tentativa de cobrir os rombos das contas públicas e esconder da sociedade mineira os prejuízos financeiros que o choque de gestão trouxe ao estado", disse ao lembrar que, de 2002 para cá, a cada ano, o governo de Minas contraiu cerca de R$ 2 bilhões de novos de empréstimos, colocando o estado entre os mais endividados do país.
Segundo a oposição, a iniciativa do governador Antônio Anastasia, é um golpe no funcionalismo público, pois, além de extinguir o Funpemg, o governo estadual, com apoio de sua base na Assembleia Legislativa, extinguiu a obrigatoriedade de se fazer plebiscito de qualquer decisão que envolva a destinação dos recursos do Fundo.
O promotor confirma que faltou transparência do governo de Minas. "O governo teria que mostrar, de forma transparente, para os servidores e para a sociedade o objetivo dessa proposta, mas o caminho percorrido não foi esse, foi um processo super rápido, para alterar totalmente uma sistemática que já vinha sendo construída há muito tempo e com riscos de difícil reparação caso venha a se concretizar", afirmou.
Fonte: Brasil 247