quarta-feira, 22 de março de 2017

Governo Pimentel propõe regulamentação de assistência estudantil na UNIMONTES e UEMG















Governo Estadual atende Deputado Estadual Jean Freire 
que apresentou proposta de moradia estudantil, 
transporte e alimentação para universitários.

O governador Fernando Pimentel assinou, nesta terça-feira (21/3/2017), no Palácio da 
Liberdade, mensagem encaminhando à Assembleia Legislativa projeto de lei que atualiza 
o sistema de reserva de vagas e regulamenta o Programa de Assistência Estudantil nas 
 (Unimontes).

O sistema de reserva de vagas já existe nas duas instituições de ensino superior vinculadas 
ao Governo do Estado, tendo sido implantado por meio da Lei 15.259, de julho de 2004. 
Entretanto, a legislação que o instituiu garantia o acesso sem incorporar a assistência aos 
estudantes por ela contemplados, desconsiderando a sua importância para garantir a 
permanência e minimizar a evasão decorrente da vulnerabilidade socioeconômica dos 
beneficiados.

Pimentel ressaltou que o objetivo da proposta é reforçar uma política pública garantindo 
as cotas para populações desassistidas e sua permanência nas universidades. “Nós estamos
 ampliando um pouco. Porém, mais do que isso, estamos criando o Programa de Assistência 
Estudantil, que vai tornar efetiva a política de cotas. Não adianta ter uma política de cotas e 
não ter condições efetivas do estudante de continuar cursando. Muitas vezes ele é obrigado
 a abandonar o curso porque não tem a bolsa, não tem o recurso necessário”, afirmou.

Segundo o governador, a medida é de grande importância tendo em vista a crise econômica
 que pode dificultar ainda mais a permanência dos estudantes no ensino superior. “Estamos
 garantindo que o Estado fará o aporte e, aí sim, tornará efetiva as políticas públicas que a 
gente considera justas. Nós estamos dando esse passo. Pode parecer pequeno, singelo, mas
 estamos dando no momento em que, para grande tristeza de todos nós e do povo brasileiro, 
vivemos um retrocesso muito grande nas questões dos direitos que levamos muito anos para
 conquistar”, completou.

O subsecretário de Ensino Superior da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência,
 Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), Márcio Rosa Portes, salientou que a lei em vigor, 
de 2004, não definiu claramente a assistência estudantil. “Agora, melhoramos a redação, 
garantindo aos grupos e etnias as cotas nas duas universidades estaduais e, ao mesmo tempo, 
construímos um programa de assistência para garantir a permanência do aluno e que ele 
conclua o curso”, disse, lembrando que, após aprovação do projeto de lei, um decreto 
regulamentará no âmbito estadual os princípios e diretrizes estabelecidos pelo Programa 
Nacional de Assistência Estudantil.

Proposta

A nova proposta compõe um conjunto de ações afirmativas que visam à inclusão e 
manutenção no ensino superior de estudantes oriundos de escolas públicas, de negros e
indígenas e de pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida, classificados como
 social e economicamente vulneráveis. Daí a necessidade de revisão da lei que institui o 
sistema de reserva de vagas, sendo a ela incorporado o Programa de Assistência Estudantil, 
em busca da garantia do acesso e das condições de permanência dos estudantes nas 
universidades públicas do Estado.

Pela proposta, cada uma das duas instituições de ensino superior vinculadas ao governo do
 Estado deverá reservar, em cada curso de graduação, pós-graduação e curso técnico de 
nível médio por elas mantido, um percentual de vagas (mínimo 45%) para os grupos de 
candidatos (afrodescendentes – 20%, desde que carentes; egressos da escola pública, desde 
que carentes – 20%; pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida - 3%; indígenas –
 2%).

Segundo o reitor da Unimontes, João dos Reis Canela, a evasão chega a 40% dos alunos. 
“É um número expressivo e preocupante. Por isso, essa proposta vem em boa hora e é 
fundamental para que diminuamos a evasão”, destacou.

O chefe de gabinete da Uemg, Eduardo Andrade Santa Cecília, que representou o reitor da 
instituição na solenidade, também acredita que o resultado da proposta será positivo. 
Não tínhamos ordenamento jurídico, até então, que viabilizasse essa assistência ao estudante, 
às vezes com renda de um ou dois salários mínimos. Essa renda familiar pode impedir que ele 
more, se alimente, se vista. Resultado: ele volta para sua cidade de origem ou muda de curso", 
afirmou. Na Uemg, 72% alunos matriculados são egressos da escola pública; 52% residem no
 local do curso; 30% estão no entorno de 100 quilômetros da universidade e 3% são de outros
 estados, em função do sistema de cotas. 

Também participaram do ato o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Adalclever 
Lopes, secretários de Estado, deputados estaduais e representantes de estudantes das 
universidades estaduais.

Deputado Jean Freire apresentou projeto de lei, em junho de 2015, 
de política de assistência estudantil.
Confira o PL 2242/2015.



segunda-feira, 20 de março de 2017

Minas de olho nas estripulias de João Doria

O prefeito de São Paulo, João Dória, e o senador Aécio Neves, em articulações políticas.
Carlos Lindenberg*
Os mineiros acompanham com vivo interesse a disputa interna que grassa no interior do PSDB paulista. Não é surpresa para ninguém, embora os envolvidos neguem, que verdadeira guerra de foice é travada pelo senador Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmin, o senador José Serra e agora, correndo por fora, o "enfant terrible" João Dória, prefeito da capital São Paulo. Dória, de fato, não deixa de ser um personagem que chama a atenção: chegou à Prefeitura pelas mãos do governador Geraldo Alckmin, a quem lançou de imediato como seu candidato à presidência da República, mas ultimamente já não é tão enfático quando lhe falam da corrida presidencial de 2018. Prefere aquele sorriso maroto, quase sempre fotografado de lado – o direito, de preferência.
Mas o que preocupa os tucanos mineiros, de modo especial, é a posição do senador Aécio Neves, sua maior estrela. É verdade que nenhum presidenciável dentre os tucanos escapou da lista de Janot, nem mesmo o até então inimputável Geraldo Alckmin. Numa peneirada só entraram na lista Aécio, Alckmin e Serra, além de outros tucanos, sobrando até agora João Dória. Mas para os mineiros, João Dória nunca foi levado em conta. Nem mesmo Serra. O perigo era ou ainda é o governador Geraldo Alckmin. Praticamente dono da legenda em São Paulo, Alckmin já foi candidato à presidência da República em 2006, perdendo para Lula no segundo turno. Essa derrota não foi assimilada pelo governador paulista, que na eleição seguinte apoiou José Serra contra Dilma Rousseff, apoiou Aécio, com alguma relutância, em 2014 e agora parece não abrir mão da disputa de 2018, com algum travo ainda da derrota de 2006, quando Aécio em Minas não teria se empenhado a fundo pela sua candidatura e ainda permitiu que se criasse no Estado o voto lulécio – o voto em Lula para presidente e em Aécio para governador, obtendo ambos a vitória, com números que devem intrigar Geraldo Alckmin até hoje: num estado governado por um tucano, Lula obteve 50,10 por cento dos votos dos mineiros e Alckmin 40,62. Como Aécio se elegeu com 70 por cento dos votos, os paulistas atribuem a vitória de Lula em Minas ao voto lulécio.
De maneira que, desde então, os mineiros estão sempre acompanhando os passos do governador Geraldo Alckmin, especialmente Aécio, que não tem nenhuma preocupação com José Serra. O fato de agora, tanto Serra, como Aécio e o próprio Alckmin aparecerem na lista de Janot parece igualar os três nesse debate que deriva dos efeitos da Lava Jato na eleição de 2018. Mas ainda aí Alckmin leva pequena vantagem. Ele só poderá ser processado se a Assembleia Legislativa de São Paulo autorizar, como tem sido a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Aliás, o que seria a mesma situação do governador de Minas, Fernando Pimentel, se a Constituição do Estado de Minas Gerais não fosse diferente da paulista neste ponto. De qualquer forma, a votação da matéria no STF está empatada e na dependência do voto do recém-nomeado advogado de Temer, Alexandre Moraes, para a vaga do ministro Teori Zavascki. Ele poderá desempatar se o STJ precisa ou não ter autorização da Assembleia de São Paulo para processar o seu governador. Certamente Aécio e a tucanagem de Minas torcem para que o novo ministro desempate pela não dispensa da consulta – o que deixaria em situação confortável Geraldo Alckmin, mas ainda assim com a mancha da delação da Odebrecht e com explicações a dar ao eleitor.
É nessa "gata parida" que entra o enfant terrible da "nova politica" brasileira, o prefeito de São Paulo, João Dória. Com uma folgada vitória sobre Fernando Haddad em 2016, João Dória vem fazendo pouco, mas aparecendo muito, o que não é surpresa desde que se sabe que ele é, sobretudo, um profissional de marketing. O estilo, no entanto, agrada a classe média paulistana, que acompanha em detalhes a movimentação de João Dória e já o saúda como uma nova liderança em São Paulo. Isso bate nas lideranças clássicas paulistas como um ponto de reflexão e espanto – mais de espanto do que propriamente de reflexão – e assusta também os tucanos mineiros que, no entanto, no seu estilão, acham que Dória é apenas fogo de palha e que o perigo mesmo vem de Geraldo Alkmin – o mesmo adversário interno de 2010, agora, no entanto, mais maduro e dispensado do voto lulécio.
Os tucanos de Minas, na verdade, se sentem órfãos do ex-governador e senador Aécio Neves. Desde que se elegeu para o Senado, Aécio tem vindo pouco a Minas Gerais. E isso para os tucanos pode ser decisivo na sua busca de retomar o poder que perderam com a vitória de Fernando Pimentel sobre o candidato do PSDB, Pimenta da Veiga, em 2014. Como o governador dá sinais de que poderá vir a ser candidato em 2018 e como no campo adversário não se vê ninguém com perfil para a disputa, o PSDB mineiro já se inquieta, até porque o provável único nome que lhe resta para a disputa seria o do senador Antônio Anastasia, que, no entanto, abomina a ideia. A não ser que o próprio Aécio, no caso de perder a legenda para Geraldo Alkmin, ou quem sabe para João Dória, se anime a voltar para Minas e disputar, ele mesmo, a cadeira que já pertenceu ao avô, Tancredo, e ao próprio Aécio, no período de 2003 a 2010, quando passou o governo para o vice Anastasia e o reelegeu em seguida. Por coisas assim é que os tucanos mineiros acompanham atentamente os lances dessa disputa que divide o PSDB nacional, principalmente entre Aécio e Alckmin, mas de olho também nas estripulias de João Dória.

Carlos Lindemberg é jornalista, sendo um dos mais experientes colunistas políticos de Minas, atuando no Jornal Hoje em Dia e na Rádio Itatiaia. 


domingo, 19 de março de 2017

Artesão, um artista popular em extinção?

Dia 19 de março é o Dia Mundial do Artesão. Há muito o que comemorar devido à importância simbólica deste profissional, mas há muito o que cobrar, principalmente de políticas públicas para evitar a extinção do artesanato como produção artística ou econômica. 
Dona Isabel Pereira, de Santana do Araçuaí, em Pontos dos Volantes, é uma das artesãs mais conhecidas do Vale do Jequitinhonha.
Quem é o artesão?
É aquele cidadão que produz peças artesanais, utilizando das suas mãos e criatividade com algumas ferramentas acessórias. É quem faz da produção uma atividade de arte, de vida, de identidade cultural. Muito próximo à natureza, o artesão extrai matéria-prima com um cuidado com o meio ambiente, porque ele se sente parte da natureza, transformando-a em produtos de arte, decorativo, mas também utilitário. 
Dona Joana Pinta, de Roça Grande, em Berilo, artesã de tecelagem em algodão.
Em sua vida, boa parte da produção tem a finalidade utilitária de armazenar água, em potes, filtros e botijas. Em outros, tecem cobertores de algodão para ribuçar, cobrir. Ou criam cestos, peneiras, chapéus, bolsas, brincos ou roupas. Ou confecciona biscoitos, bolos, farinha, fubá, rapaduras, cachaças, depuram o mel, adoçando e dando prazer no dicumê das populações, principalmente no interior e nas aldeias do mundo. 
É uma atividade em extinção porque os produtos industriais invadem a vida de todas as famílias, levando conforto, mas também desconfortos com seus alimentos processados, enlatados, empacotados, contaminado o organismo humano. 
Zefinha, de Campo Alegre, em Turmalina, ceramista com peças expostas em grandes galerias nacionais.
O processo de produção capitalista leva ao encarecimento do produto artesanal e o seu consumo se torna privilégio da classe média, quando as peças produzidas, decorativas, tem esmero artístico.
A presidenta Dilma Roussef homenageou as artesãs brasileiras na figura de Dona Isabel.
O artesanato vem sofrendo transformações no tempo histórico. Dependendo das formas que o artesão usa para produzir seus produtos ele pode ser dividido em três categorias: o artesão-artista, que trabalha com criatividade; o artesão-artesão, que trabalha com diversos itens em série; e o artesão semi-industrial, que utiliza processos semi-industriais para reproduzir dezenas de peças iguais, o industrianato.
Ulisses de Itinga usou a cruz para denunciar a opressão do trabalhador rural e da mulher no Vale do Jequitinhonha.
O artesão do Vale do Jequitinhonha
O artesanato do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas, é um dos mais apreciados e valorizados no país e no mundo. A criatividade e a diversidade são suas marcas. No Vale, artesão é classificado como artista. Cria e cria muito. As técnicas de produção e criação são assimiladas de avós, pais/mães, tios/tias e aperfeiçoadas na prática do ensaio e erro, com experimentações as mais variadas com utilização de matéria-prima retirada na natureza, na observação do comportamento humano e na identidade cultural regional.
Ana do Baú de Minas Novas e algumas peças de sua criação.
Porém, a pressão do mercado consumidor da classe média das grandes cidades exige que o artesão, ou melhor, a artesã - cerca de 90% dos trabalhadores do artesanato são mulheres - reproduzam peças como bonecas, lavrador crucificado, noivas, tambores, bolsas, colchas, tapetes, panôs, potes, cestos, móveis, etc. 
A criação artística das artesãs de Diamantina tem forte inspiração religiosa.
Os artesãos do Vale são reconhecidos como artistas no país e no mundo. Destaca-se Dona Isabel, já falecida, do povoado de Santana do Araçuaí, no município de Ponto dos Volantes. Suas peças de cerâmica  estão na sede da ONU - Organização das Nações Unidas e em diversas galerias dos Estados Unidos e Europa. 
Artesãs do capim dourado do Planalto, em Diamantina.
A  artesã Maria Lira Marques, de Araçuaí, tem suas produções de cerâmica de identidade afroindígena, fazendo máscaras e fantasmas. Dona Zefa , também de Araçuaí, é eximia na criação de peças de madeira, negando-se a repetir peças. Zefinha, de Campo Alegre, em Turmalina, é ceramista de bonecas e noivas. Ulisses, de Itinga, criou um lavrador pregado em uma cruz, denunciando a penúria dos trabalhadores rurais, no Vale e no país. Esta peça é reproduzida devido ao grande apelo de consumidores e a forte imagem representada. 
Lira Marques de Araçuaí registrou a marca afroindígena da identidade regional.
As peças de artesanato em algodão de Roça Grande, em Berilo, decoram muitas casas de classe média de médias e grandes cidades com seus tapetes, colchas e panôs, de algodão cru tingidos por corantes retirados de plantas e cipós. Na tradição de mais de 300 anos, que já teve cerca de 200 artesãos produzindo, restam poucas dezenas de artesãs na comunidade e na cidade.
O artesão Antônio de Pádua, de Diamantina, resiste com a técnica secular da arte de côco e ouro.
Artesanato raro e em extinção é o ofício de côco e ouro. Ainda há oficinas em Berilo, Araçuaí, Minas Novas e Diamantina. Suas peças são produzidas com a habilidade do artesão/ourives que derrete o ouro com a técnica de produção de filigramas para a criação de broches, pingentes, anéis, flores, cruzes e alianças. Em Diamantina, tem uma das joalherias mais antigas do Brasil, a Pádua, cheia de história e preciosidades, desenvolvendo a técnica do côco e ouro, desde 1888.
Artesãs de Santana do Araçuaí, discípulas de Dona Isabel. 
Produz muito, vende pouco
Um dos gargalos do artesanato do Vale do Jequitinhonha, como em todo o Brasil e mundo, é a comercialização dos produtos.  Geralmente, o artesanato é exposto em feiras esporádicas, sempre longe dos locais de moradias dos artesãos. Isso acarreta altos custos para fazer escoar a produção e paralisação nos processos de criação.


Grande parte da da economia da produção artesanal no Brasil é apropriada pelo atravessador que compra os produtos por preços irrisórios nas tendas de criação do artesão, vendendo as peças por 5 ou até 10 vezes mais o valor de compra direta ao artesão. O artesão trabalha muito e ganha muito pouco. Alguns vivem em situação de miséria ou  com grandes dificuldades de sobrevivência. Este é um dos motivos que dificulta as novas gerações a optarem pelo artesanato como atividade profissional. 

O artesão Enivon de Berilo expõe orgulhoso o artesanato de algodão que resite há 300 anos. 

Ainda são tímidas as ações de políticas públicas de apoio à criação artesanal, à profissão do artesão e à comercialização dos seus produtos.

O artesanato é um setor de produção da economia solidária. Sua grande força consumidora está no setor de alimentos, sendo esta área mais dinamizada em cidades do interior. Os consumidores de produtos artísticos estão concentrados nas médias e grandes cidades.
A escultora Zefa de Araçuaí talha na madeira o misticismo vivido pela população do Vale. 

8,5 milhões de artesãos no Brasil e poucas políticas públicas
Aproximadamente 8,5 milhões brasileiros dedicam-se ao artesanato como atividade comercial, no Brasil, segundo dados do IBGE. Em Minas, são cerca de 300 mil profissionais.
O setor movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano e é responsável por cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Além dos números significativos na economia do país, há dois anos, os artesãos ganharam mais força com a aprovação, no Senado, do Projeto de Lei nº 256/15, que reconhece a profissão e oferece melhores condições para que possam empreender no país.
Zé do Balaio de Almenara expôe no Mercado Municipal a variedade de sua criação em taquara, flecha e palha.

Mesmo que essas melhorias não tenham saído do papel ainda, a iniciativa é o pontapé inicial para valorização do trabalho artesanal e ampliação da sua presença no mercado nacional e internacional. Como forma de reconhecer a importância da atividade na vida do brasileiro, neste domingo, 19 de março, é celebrado o Dia do Artesão.
Artesãs de palha de Itaobim.

Assim como no restante do Brasil, Minas Gerais vem se tornando vitrine da diversidade e da criatividade, refletidas em produtos, design e matérias-primas. Para se ter uma ideia, do total de peças vencedoras do Prêmio Top 100 de Artesanato, no ano passado, 13 são mineiras.
Mestre Bastião do Capivari é criador de tambores e sons, em Minas Novas. Aqui, acompanhado da Lira Marques de Araçuaí e uma das suas máscaras em cerâmica. 

Acreditando no potencial do artesanato mineiro, há mais de 20 anos, o Sebrae Minas tem apoiado os artesãos por meio do programa de fortalecimento da atividade, que valoriza a identidade cultural, o design, a inovação tecnológica e a gestão empresarial. 
Dona Pretinha, artesã de Barra do Ribeirão, em Berilo.
As capacitações são realizadas pelo SEBRAE para que esses empreendedores saibam comercializar seus produtos, elaborar estratégias de divulgação e para que tenham acesso a linhas de crédito, o que permite a expansão da produção. O Sebrae também atua de forma a conscientizá-los sobre sustentabilidade e uso racional dos recursos naturais.
Zé do Ponto de Chapada do Norte cria móveis aproveitando a madeira de eucalipto transformada em arte e utilitários.
A CODEMIG - Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, autarquia estadual, também vem investindo no artesanato como um dos ramos da indústria criativa. Empresas como a CEMIG criam galerias ou Centro da Arte Popular como o espaço existente no Circuito Cultural na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.
Andréia Pereira, neta de Dona Isabel, fez Belas Artes na UFMG, aprendendo na Academia e ensinando a técnica criada pela avó. De Ponto dos Volantes, mora em Itaobim.
O IDENE - Instituto de Desenvolvimento Integrado do Norte e Nordeste Mineiro é o principal órgão publico do governo estadual que atua na promoção do artesanato.
Na contramão de valorização do artesanato, o Palácio das Artes de BH, está fechando seu espaço de exposição permanente do artesanato mineiro.  
Artesã da Roça Grande, em Berilo.

América de Teófilo Otoni perde para América mineiro.

Dragão de TO está em situação delicada, no último lugar, com apenas três pontos, podendo ser rebaixado.

Renan Oliveira abriu o placar e comemorou com os companheiros (Foto: Carlos Cruz/América)
O América se recuperou da derrota para o Cruzeiro (1 a 0), no Independência, e chegou a 14 pontos. A vitória em Teófilo Otoni foi providencial, já que URT e Uberlândia, concorrentes do Coelho na briga pelo G4, ganharam nesta rodada. O América de Teófilo Otoni soma apenas três pontos, manteve o jejum de triunfos no Estadual e está em situação desesperadora, em último lugar.
O América terá a chance de se aproximar das semifinais na próxima rodada, quando reencontrará a torcida no Independência. O Coelho joga diante do Tricordiano, que não faz boa campanha, no sábado, dia 25, às 18h30. Já o América de Teófilo Otoni visitará o Tombense, no mesmo dia, às 16h, no Estádio Antônio Guimarães Almeida, em Tombos.

O jogo

Precisando vencer para não deixar o G4 do Mineiro, o América teve a posse de bola a favor, sem no entanto ameaçar muito o gol defendido por Marcelo Carné. Faltava um pouco de efetividade ao Coelho, que chegava até com facilidade, mas demorava a concluir ou falhava no chamado último passe. Uma boa opção era sempre com a subida de Gustavo Blanco, pelo lado direito.
O América de Teófilo Otoni congestionou o meio-campo e chegou esporadicamente ao ataque. Mas João Ricardo foi um mero espectador no primeiro tempo. Aos 36min, finalmente o América saiu na frente. Gustavo Blanco recebeu pela direita e cruzou rasteiro para Renan Oliveira soltar a bomba: 1 a 0. O time da casa teve boa oportunidade em cobrança de falta na entrada da área, sem no entanto acertar o alvo.
O segundo tempo foi mais movimentado, tanto que João Ricardo teve que trabalhar em alguns momentos. O América de Teófilo Otoni melhorou a produção ofensiva, ainda que sem muita objetividade. Já o Coelho apostou nas chegadas pelos flancos, até pela forte marcação no meio-campo. O técnico Enderson Moreira mexeu na equipe, pôs armadores como Tony e Marion, em busca de melhor toque de bola.
Como o setor ofensivo não resolvia, coube a um zagueiro tirar o Coelho do sufoco. Depois de assustar Marcelo Carné com uma cabeçada para o chão, Messias teve outra oportunidade e dessa vez não desperdiçou. Aos 41min, Christian bateu falta para a área, o goleiro saiu muito mal e a bola sobrou limpa para o defensor, que emendou para as redes: 2 a 0. Mais três pontos garantidos e posição mantida entre os quatro melhores do Mineiro.
Fonte: Super Esportes / Vicente Ribeiro

19 de março, Dia do Artesão

“Um homem que trabalha com as mãos é um operário; um homem que trabalha com as mãos e o cérebro é um artesão; mas um homem que trabalha com as mãos e o cérebro e o coração é um artista.”
― Louis Nizer
Parabéns a todos os nossos artistas dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e todo nordeste mineiro que com suas belas obras inundam de amor e sabedoria os quatro cantos deste mundo.
Um beijo no coração de cada um(a) de vocês.
Dr. Jean Freire

Governo de Minas entrega 61 ônibus escolares e 74 ambulâncias para municípios da região

O governador Fernando Pimentel entregou nesta sexta-feira (17/3), em Timóteo, no Território Vale do Aço, 61 ônibus escolares a prefeituras de 50 municípios do Estado e 74 ambulâncias para 67 cidades mineiras. Pimentel ressaltou seu apoio incondicional aos prefeitos mineiros e afirmou que, apesar das dificuldades financeiras, Minas Gerais está conseguindo avançar nas políticas públicas.

“Quero dizer aos prefeitos e prefeitas que estão aqui que contem sempre com o apoio do governo do Estado. Não vamos conseguir resolver tudo, porque estamos com muitas dificuldades também, mas não faltará a vocês nunca o nosso decidido apoio naquilo que for possível resolver. Fui prefeito, sei a dificuldade que é conduzir o município, ainda mais agora nesses tempos de crise e escassez de recursos, mas sempre estarei ao lado de vocês para tentar resolver as dificuldades”, salientou.
Para Pimentel, visitar o Vale do Aço e entregar veículos pelos programas de apoio aos municípios é um caminho que está dando certo – e que faz parte da diretriz do governo, de ouvir as pessoas a partir da realização dos Fóruns Regionais de Governo. “É uma alegria grande poder entregar esses veículos da saúde e da educação que, sem dúvida nenhuma, vão ajudar a melhorar a vida de cada mineiro”, disse.
Segundo o governador, como Minas Gerais é formada predominantemente por municípios de pequeno porte, as ambulâncias são fundamentais para transportar pacientes até localidades maiores e mais bem equipadas, assim como também fornecer meios de transporte aos alunos que, muitas vezes, moram na área rural.
“É impossível ter um hospital de grande porte numa cidade de 5 mil habitantes. É por isso que a ambulância é tão importante. Quem acha que não é importante é porque não conhece o estado. Quem acha que isso não tem importância e acha que é uma entrega muito pequena, é porque está longe. Ela é importante e salva a vida das pessoas. Estou dizendo isso com muita ênfase porque ouço críticas de quem não entende como é o estado de Minas Gerais, de quem olha de longe, lá do gabinete com ar condicionado, ou em Brasília. Tem muita gente que fica dando palpite sobre Minas lá do Rio de Janeiro. Nós não. Estamos aqui, com os pés no chão, junto com vocês, sofrendo as mesmas dificuldades, sonhando os mesmos sonhos, tendo as mesmas alegrias”, completou.
O prefeito de Timóteo, Geraldo Hilário, destacou a importância dada ao município e à região do Vale do Aço com essas entregas. “Elas simbolizam a melhoria da qualidade de vida da população. Temos como missão olhar primeiro as pessoas pobres, e fico feliz pelo senhor estar em Timóteo, olhando por nós”, afirmou.
Já o deputado estadual Celinho do Sinttrocel acredita que o Governo do Estado vem demonstrando responsabilidade social. “É a demonstração do compromisso com a vida de cada cidadão e cidadã de Minas Gerais. Os veículos para a saúde e atendimento médico vão ajudar no deslocamento para atendimento, assim como os veículos para a educação”, finalizou.
Entregas
Com a entrega de veículos para o transporte escolar, estão sendo beneficiados mais de 34,6 mil alunos das redes estadual e municipais de ensino. Este é o terceiro lote de um total de 628 ônibus adquiridos com recursos de emendas parlamentares. No dia 10 de fevereiro, foram entregues 401 ônibus para prefeituras de 309 municípios e, no dia 17 de fevereiro, 80 ônibus para prefeituras de 57 municípios. Ao todo, foram investidos R$ 150 milhões.
Os ônibus têm capacidade para 44 passageiros sentados e possuem plataforma veicular elevatória. A entrega desses veículos faz parte do esforço do Governo de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Educação (SEE) para garantir um ensino que reduza as desigualdades regionais e sociais.
No caso da Saúde, no final de 2015 o governo iniciou o Programa de Doação de Veículos para Atenção à Saúde no Estado. O objetivo é proporcionar qualidade no transporte de pessoas que necessitam de tratamento médico, realização de exames ou de consultas e promover a assistência médica de caráter emergencial. Foram adquiridos 1.509 veículos para o atendimento à saúde em todos os Territórios de Desenvolvimento do Estado, com investimento de R$ 75,2 milhões.
Considerando as entregas desta sexta-feira, 1.375 veículos já foram repassados para a área da saúde, entre eles 422 ambulâncias, com investimento de R$ 66,6 milhões.
O critério para a seleção dos municípios é o atendimento à saúde em nível primário, secundário e terciários nos Territórios de Desenvolvimento do Estado.
Também participaram do evento secretários de Estado, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças da região.

Carne “maquiada” pode levar a morte

Carne adulterada causa vários danos a saúde (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Carne podre, vencida, com produtos cancerígenos de alto teor, contaminados por bactérias e até com papelão. Esses são alguns dos problemas descobertos pela operação “Carne Fraca” deflagrada nesta sexta-feira (17/3/2017) pela Polícia Federal. Executivos do frigorífico JBS e da empresa BRF Brasil foram presos. Toda essa carne vendida livremente nos frigoríficos e “maquiada” para que os consumidores não identificassem os problemas que podem causar sérios danos à saúde. No caso de idosos e crianças a contaminação pode levar até a morte.
A médica veterinária, especialista em produção animal e professora da Unifenas Ariane do Nascimento, explica que a contaminação por bactérias em carnes pode ser bastante grave. “Existe um perigo das doenças passarem dos animais para o homem, uma deles, por exemplo, é a tuberculose. Além disso, no caso, por exemplo, de remédios como antibióticos nesses alimentos, cria-se um grande problema para o consumidor, já que bactérias no corpo dele ganham resistência e as doenças ficam mais difíceis de tratar”, explica.
Ainda segundo ela, é possível até mesmo o desenvolvimento de novas bactérias. “As carnes vencidas são bastante problemáticas, causam intoxicação alimentar e promove a proliferação de bactérias. Algumas delas presentes no intestino dos animais pode até mesmo causar hemorragias nas pessoas. Para crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade, existe um risco de morte”, afirma a médica.
Os principais danos causados por esses alimentos tendem a ser intestinais. A nutricionista Thais de Oliveira explica que os principais sintomas são diarreia, fortes dores abdominais e vômito, mas isso depende de cada organismo. “Essas carnes acabam contendo micro-organismos que são bactérias, fungos e toxinas e dependendo do que atingir a pessoa, vai causar um tipo de sintoma. Crianças e idosos têm uma facilidade muito grande de desidratar e podem acabar morrendo”, considera a nutricionista.
Segundo ela, se a pessoa tiver com o sistema imunológico fraco, ela também pode ter problemas em vários nos órgãos espalhados pelo corpo. “Isso acaba sendo muito perigoso porque não sabemos se essa carne foi para hospitais ou escolas”, destaca Thais. As especialistas explicam que o papelão não é absorvido pelo organismo, mas pode causar desconforto intestinal.
Fonte: OTEMPO

Matadouro de Araçuaí é interditado pelo Ministério Público

Matadouro foi interditado pelo Ministério Público (Foto: Gazeta de Araçuaí)

Falta de higiene, mau cheiro, abatimento incorreto e descarte irregular dos restos dos animais na natureza, além da presença de centenas de cachorros, urubus e fezes de animais próximo ao local do abate, foram algumas das razões que levaram o Ministério Público a interditar o matadouro de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. O estabelecimento é administrado pela Prefeitura Municipal.

A interdição passa a valer a partir da próxima segunda-feira (20/3/2017). O retorno das atividades, segundo comunicado da prefeitura, só ocorrerá após apresentação ao Ministério Público das licenças ambientais e registro de inspeção sanitária junto aos órgãos competentes.
A prefeitura não informou quais medidas serão tomadas para solucionar o problema. Em nota, esclarece apenas que “o município de Araçuaí não economizará esforços no sentido de obter as licenças exigidas, visando o cumprimento das normas ambientais e sanitárias, assegurando o consumo de carne e seus derivados pela população araçuaiense segundo os padrões exigidos”.
As irregularidades ambientais e sanitárias do matadouro de Araçuaí se arrastam há anos. A cidade tem cerca de 40 açougueiros. Eles afirmaram ter conhecimento de que o matadouro está irregular, mas acreditam que a prefeitura é culpada pelo descaso e que o problema já deveria ter sido resolvido.
O abatedouro foi construído em 1986, às margens do Rio Araçuaí, no bairro São Jorge, durante a administração do então prefeito Arthur Berganholi, que era médico. ”O erro já começou por aí. Deveria ser em outro local”, afirmaram os açougueiros.
“O matadouro nunca teve licença de funcionamento concedida por órgão ambiental competente”, diz André Timo, proprietário de uma casa de carnes, no centro da cidade.
Ele lembra que no final do ano passado, os açougueiros se reuniram com a prefeitura para debater o problema e encontrar uma solução. “Ficou acertado que seria feita uma reforma no prédio, incluindo instalação de tanques metálicos, cercamento do entorno com telas, entre outras mudanças. A reforma ficaria em torno de R$ 100 mil e seria feita em parceria com os açougueiros. Foi dado um prazo de 90 dias e a reforma não saiu”, destacou o comerciante.
“Na tarde da última sexta-feira (17) fomos comunicados de última hora que haveria uma reunião com a prefeitura e só então tomamos conhecimento que o matadouro seria fechado”, disse André Timo.
A maioria dos açougues funciona no mercado municipal. Os proprietários estão apreensivos com a medida e prometem manifestação para forçar a prefeitura a encontrar uma saída para o abate de animais o mais rápido possível, “Sem o matadouro, o abate será feito de forma clandestina”, disseram.
Eles lembram que o abate clandestino representa grave risco para a saúde da população já que, nessa situação, o animal não é examinado por um médico veterinário antes da morte. O procedimento permitiria identificar possíveis agentes transmissores de doença. No abate clandestino também não são respeitadas as normas sanitárias para a manipulação da carne.
Semanalmente são feitos cerca de 70 abates. Os açougueiros pagam à prefeitura uma taxa de R$ 30 reais por cabeça.
Matadouro está em péssimas condições de conservação (Foto: Gazeta de Araçuaí)

Açougues do Mercado Municipal de Araçuaí (Foto: Gazeta de Araçuaí)

Rejeitos são despejados em rio (Foto: Gazeta de Araçuaí)

Açougues do Mercado Municipal de Araçuaí (Foto: Gazeta de Araçuaí)
Fonte: Gazeta de Araçuaí